Muitos industriais brasileiros de médio e grande porte estão implantando filiais de suas empresas no exterior, não apenas porque esta é uma tendência natural estribada na segura expansão da economia internacional, mas para amenizar as perdas acumuladas nas exportações, com a desvalorização da moeda norte-americana frente ao real.

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A decisão é correta do ponto de vista do princípio econômico que manda restringir as perdas ao mínimo inevitável, tendo em vista que o próprio mercado argumenta com alguma dose de segurança que não haverá, nos próximos meses, mudanças bruscas na política cambial.

Já fizeram investimentos no exterior, especialmente no México, Chile e Argentina, fabricantes ligados aos setores de siderurgia, refrigeração, ferramentas, alimentos, autopeças e calçados, entre outros. Segundo números do Banco Central, no primeiro trimestre do ano, os empresários brasileiros investiram nos referidos países cerca de US$ 5,2 bilhões, mais da metade do total investido no mesmo período de 2006.

A razão primordial que sedimentou a decisão estratégica de implantar fábricas no exterior foi o desejo de manter e ampliar os mercados conquistados pela exportação de produtos manufaturados no Brasil. Como o custo de produção continua elevado, no plano interno, e o real apreciado tem acrescido o volume das perdas nas negociações externas, os empresários buscaram o caminho da internacionalização de seus ativos.

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O primeiro dado a lastimar é a migração dos empregos que poderiam ser gerados no Brasil, onde já é dramática a falta de vagas para absorver a mão-de-obra disponível e, sobretudo, a massa de jovens que anualmente se apresenta ao mercado de trabalho em busca de oportunidades, quase sempre frustradas.

Contudo, falando com todo o realismo depreendido da atual situação econômica, os empresários não teriam alternativa mais indicada para a continuidade de seus negócios, senão investir no exterior, mesmo enfrentando outros tipos de riscos.

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Considerando a proximidade geográfica os empresários brasileiros preferem investir na Argentina, também motivados pelas conveniências do Mercosul. Algumas empresas de grande porte, todavia, já se instalaram na Ásia, seguindo a corrente puxada por grandes industriais norte-americanos e europeus.