De 21 a 25 de agosto o Rio de Janeiro sediará o 11º Congresso Mundial de Saúde Pública e o 8º Congresso Brasileiro de Saúde Pública, que reunirão cerca de dez mil participantes no Riocentro. Este será o maior evento de saúde pública e coletiva já realizado na América Latina, reunindo autoridades nacionais e internacionais, pesquisadores, gestores e profissionais de saúde para trocar experiências e debater questões e políticas, possibilitando um intercâmbio valioso em troca de experiências.

Neste contexto, o tema principal não poderia ser outro senão Saúde coletiva em um mundo globalizado – Rompendo barreiras sociais, econômicas e políticas. Durante o Congresso, a Federação Mundial das Associações de Saúde Pública – uma organização não-governamental internacional que une profissionais de saúde promovendo intercâmbios e colaborações – concederá à Fiocruz o título de melhor instituição do mundo na área da saúde pública.

A programação inclui a apresentação de mais de nove mil trabalhos científicos, conferências, debates, palestras, mesas redondas, mostra de vídeos e painéis na área de saúde, decorrentes de trabalhos e pesquisas, além de uma feira de saúde – a Expo Saúde, com mais de 70 estandes -, e do lançamento de 25 novos títulos de livros ligados à área.

Pesquisas científicas e novidades sobre temas recorrentes também serão apresentadas nos Congressos: prevenção e novidades nas áreas de Aids, DSTs outras epidemias – com destaque para a gripe aviária. Gravidez precoce e desnutrição, obesidade e atividades físicas, violência e exclusão social e seus desdobramentos no sistema público de saúde, o impacto dos agrotóxicos na saúde pública e população prisional e saúde pública são alguns dos destaques do evento.

A realidade brasileira

Sabe-se que os recursos públicos para a saúde destinados anualmente para cada brasileiro são um dos mais baixos do mundo – mesmo no Terceiro Mundo. Enquanto na Argentina são destinados US$ 362,00 e no Uruguai US$ 304,00, no Brasil são US$ 140,00 per capita, cerca de 10% do que é gasto por ano por cidadão na Europa, Canadá e Japão em saúde pública. Por esta realidade comprometedora, mas também pelo fato de, paradoxalmente, o Brasil ser um pólo de pesquisas de ponta, além de palco de políticas públicas exemplares – como no caso da distribuição gratuita de anti-retrovirais e dos testes para vacinas contra HIV/Aids, respectivamente – a Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) realiza, simultaneamente, de 21 a 25 de agosto o 11º Congresso Mundial e Saúde Pública e o 8º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva.

Segundo o presidente da Abrasco, Paulo Gadelha, a grande luta por um sistema de saúde pública de qualidade no Brasil depende, além de recursos adicionais (aumento de US$ 160,00 per capita proposto pela Lei Complementar 01/03, que regulamenta a Emenda Constitucional 29), do estudo, da troca de experiências e do comprometimento de todas as partes envolvidas no setor. "A presença de tantas autoridades e pesquisadores possibilitará uma união de esforços no diagnóstico e na busca de soluções para os problemas locais e mundiais de saúde pública".