A transição do governo de Fernando Henrique Cardoso para o de Luiz Inácio Lula da Silva teve início de fato, nesta segunda-feira, com a reunião do coordenador da equipe petista, Antonio Palocci, com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Palocci encontra-se amanhã (12) à tarde com o ministro do Planejamento, Guilherme Dias. Antes, Palocci preside uma reunião da equipe de transição, no Centro de Treinamento do Banco do Brasil.
Outros técnicos do futuro governo também começarão a visitar os ministérios a partir de agora.
Da nomeação de Palocci pelo próprio Lula para o cargo de coordenador da transição à realização de encontros seguidos com integrantes do atual governo, passaram-se 13 dias. A demora tem uma justificativa principal: somente na sexta-feira Palocci conseguiu fechar a sua equipe de trabalho. Mesmo assim, não nomeou os subcoordenadores. Ele esperava fazê-lo até amanhã de manhã. Não há, por exemplo, um responsável pela política de comércio exterior, área em que o governo Lula pretende transformar em um dos setores mais fortes de sua administração, responsável primeiro pela geração de empregos e entrada de divisas no País.
A partir de quinta-feira, todos os ministros do atual governo terão pronta uma agenda de transição, que ficará à disposição da equipe de Lula, na qual eles mostrarão o que consideram mais importantes em seus ministérios, ou mais problemático, se for o caso. Além do mais, cada técnico da equipe de transição tem a seu dispor a chamada ?Agenda 100?, com informações importantes de cada ministério, menos as sigilosas. Por enquanto, apenas Antonio Palocci recebeu uma senha do governo, que lhe permite entrar em todos os programas. Os outros técnicos ainda não se cadastraram. Terminada a composição da equipe de transição, e liberada a saída de Palocci para as negociações nos ministérios, chegou a vez dos gabinetes de trabalho da equipe política.
O coordenador-adjunto da transição, Luiz Gushiken, informou hoje que será montada uma ala para os políticos, de onde despacharão o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), e o secretário-geral do partido, Luiz Dulci. ?Lula, Dirceu e Dulci terão gabinetes que ficarão um pouco distantes do setor dos técnicos?, disse Gushiken.
Para conseguir o espaço físico dos políticos, a direção do Centro de Treinamento do Banco do Brasil desmontou a sala que abrigaria os jornalistas e que serviria para as entrevistas coletivas.
A princípio, Gushiken e Palocci não queriam que a equipe política ficasse no mesmo prédio onde trabalham os técnicos. Gushiken dizia que a movimentação política atrapalharia o trabalho dos especialistas e, além do mais, as instalações do Banco do Brasil eram muito acanhadas para receber o presidente eleito, na opinião do subcoordenador. Mas não houve jeito. Assim como aconteceu na semana passada, em que Lula teve de despachar de uma sala improvisada, o futuro presidente terá mesmo de se contentar com as instalações destinadas à equipe de transição enquanto não toma posse.
Luiz Gushiken disse que a partir desta semana os contatos entre os encarregados da transição com a equipe de governo serão mais freqüentes. Segundo ele, os técnicos usam duas fontes de informação: um site completo, com os dados a respeito dos ministérios (menos os sigilosos), e os contatos com o governo. Gushiken disse que a equipe de transição fará apenas um diagnóstico simples de toda a administração, porque no prazo de dois meses não é possível fazer nada com profundidade. ?Se quiséssemos ir a fundo, teríamos de trabalhar muitos meses, como numa auditoria, e este não é o caso?, afirmou Gushiken.