As reservas internacionais poderão superar os US$ 175,891 bilhões da dívida externa brasileira em novembro deste ano. Mas, para que isso aconteça, o Banco Central (BC) precisará manter o ritmo de compra de dólares dos primeiros quatro meses do ano. No período, as aquisições de moeda estrangeira pelo BC atingiram US$ 33,62 bilhões, uma média mensal de US$ 8,405 bilhões. Graças às atuações do BC, as reservas internacionais aumentaram, entre o fim do ano passado e abril deste ano, de US$ 85,839 bilhões para US$ 121,830 bilhões. Em 2 de maio, já chegavam a US$ 122,389 bilhões.
No ano passado, as reservas já ultrapassaram o valor total da dívida externa do setor público não financeiro de US$ 74,823 bilhões. "Essa meta o País já alcançou faz tempo", disse o economista da LCA Consultores, Bráulio Borges. Ficou faltando cobrir a dívida externa do setor privado e do setor público financeiro, de US$ 101,068 bilhões. Um atenuante é que 74,03% dessa dívida é de médio e longo prazos. A parte curta da dívida do setor privado e do setor público financeiro é de apenas US$ 28,080 bilhões e está muito concentrada no financiamento ao comércio externo.
O economista-chefe da Gap Asset Management, Guilherme Maia, não acredita na hipótese de as reservas ultrapassarem o valor da dívida externa total em novembro. "A média de compras de dólares do primeiro quadrimestre foi muito elevada. Acho que a tendência é de redução nos demais meses do ano." Para Maia, o cenário mais provável é de que as reservas fiquem acima do valor da dívida externa ainda na primeira metade de 2008.


