O presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que toda a cúpula do PMDB que apoiava a candidatura do ex-ministro Nelson Jobim à presidência do partido "se sente liberada" em relação ao governo depois da movimentação atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a favor da candidatura à reeleição do presidente da legenda, deputado Michel Temer (SP). A afirmação de Calheiros foi feita em entrevista coletiva, no Salão Azul do Senado, na qual criticou o governo no mesmo tom duro que empregara, pela manhã, numa conversa telefônica com o presidente Lula.

Encarregado por Jobim de comunicar a Lula a desistência da candidatura, Calheiros se queixou ao presidente, durante o telefonema, do que chamou de "interferência do governo" na sucessão interna do PMDB. "Diante de tudo o que aconteceu, nós nos consideramos liberados", afirmou o senador, referindo-se à aliança fechada entre o governo e os peemedebistas.

Na entrevista, Calheiros se declarou "100% solidário com a nota (de desistência) e com Jobim, política e moralmente." E completou: "Não dá para ter uma disputa partidária (a convenção do PMDB marcada para o dia 11) com óbvia e objetiva interferência (do governo).

Sobre as conseqüências do episódio nos resultados das votações de interesse do governo no Senado e na montagem da coalizão de governo, Calheiros foi evasivo: "Não posso predizer o que vai acontecer. Não sei se a coalizão corre risco, não cuido de coalizão. Isso terá que ser tratado institucionalmente pelas instâncias do partido.