O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu um acordo entre os líderes do governo e da oposição para definir a presidência e a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará denúncia de corrupção nos Correios. Ele acrescentou que, até o momento, não percebeu qualquer intenção de lideranças governistas de estabelecer manobras para protelar a instalação da CPMI.

"Qualquer coisa neste sentido vai parecer que o governo não quer investigar. O ideal é a escolha por consenso", disse Calheiros. Em último caso, o presidente do Senado disse que a presidência da comissão será escolhida pelo voto dos deputados e senadores integrantes. Caberá ao presidente da comissão, indicar o relator que, pelo regimento comum, não pode ser do mesmo partido e da mesma Casa, além de ter que obedecer o critério da proporcionalidade entre as legendas.

O líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS), afirmou que a possibilidade de o PMDB e PT ocuparem a presidência e a relatoria da CPMI, respectivamente, foi levantada na semana passada. O assunto ainda será discutido hoje (30) entre os líderes dos partidos governistas em uma reunião com o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).

"A idéia é conversar com a oposição e buscar um solução para a presidência e a relatoria indicando bons nomes para que a CPMI não fuja do seu objeto", disse Delcídio Amaral. "O cargo de relator é estratégico e exige responsabilidade para que os trabalhos tenham seqüência, restringindo-se a apuração dos fatos e evitar que a CPMI vire palanque eleitoral", afirmou o parlamentar.

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), defendeu a preservação da tradição parlamentar que estabelece rodízio entre governo e oposição nos cargos de presidente e relator de comissões parlamentares de inquérito. Como a CPMI da Terra foi a última a ser instalada, com a presidência nas mãos do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) e a relatoria com o deputado João Alfredo (PT-CE), a dos Correios teria um presidente da base do governo na Câmara e a relatoria seria ocupada por um senador da oposição.

Bornhausen também acredita em uma solução política para a escolha dos dois cargos da CPMI. "Não acredito que o presidente (da CPMI) deixe de ter consciência de que, se cometer alguma arbitrariedade, vai ser difícil dele andar nas ruas", afirmou o pefelista ao ser questionado sobre a hipótese de um eventual integrante do PMDB no Senado ser presidente da CPMI e indicar um deputado petista para a relatoria, uma vez que o PT é a maior bancada na Câmara.