"Existe competição entre os bancos brasileiros?". Com esse título, um trecho do relatório "Estabilização e reforma na América Latina", divulgado nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), coloca o sistema bancário brasileiro na berlinda. Numa das partes reservadas ao Brasil, são abordadas questões relacionadas à competitividade dos bancos, juros altos e baixa oferta de empréstimos.

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As indicações do relatório de que os bancos brasileiros oferecem menos da metade dos empréstimos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, além de concentrarem muito poder e serem pouco competitivos, são apontadas pelo estudo do FMI como explicação para os grandes lucros que os bancos têm com a intermediação financeira no país.

Segundo a Federação Brasielira de Bancos, Febraban, o próprio título do trecho relacionado aos bancos brasileiros e as conclusões do documento do FMI são sensacionalistas, porque induzem o leitor a acreditar que os bancos brasileiros atuam como cartel, mesmo quando os números do estudo apresentado negam a idéia. Segundo texto divulgado pelo economista-chefe da Febraban, Roberto Luis Troster, "os testes apresentados não rejeitam a possibilidade de que o sistema tenha competitividade perfeita em 1999 e rejeitam a possibilidade de comportamento monopolista em todos os anos".

Sobre os lucros, Troster ressalta que apesar do alto spread no Brasil, ou seja, a grande diferença entre os juros que os bancos pagam para emprestar dinheiro e os juros que cobram para fazer seus empréstimos, "a rentabilidade do setor bancário é baixa". Ele afirma que "os spreads no Brasil são altos, mas não se traduzem em lucros".

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A análise do FMI sugere também que os lucros dos bancos brasileiros se originam basicamente dos altos juros cobrados por empréstimos e títulos públicos. Além disso, o relatório afirma que o número de bancos no Brasil vem diminuindo gradualmente desde 1995, e como conseqüência disso a concentração bancária tem aumentado, já que as dez maiores instituições financeiras são responsáveis por 75% de todos os empréstimos no país.

Dércio Munoz, professor de economia da Universidade de Brasília (UNB), concorda com as conclusões do relatório apesar de considerá-lo muito superficial. Para o professor, "o sistema bancário brasileiro não é nada competitivo devido à privatização e desnacionalização dos bancos, que apenas reduziu o número, sem aumentar a eficiência e a competitividade do sistema". Dércio explica que os vilões do sistema bancário brasileiro são "os muitos tributos e a alta taxa do compulsório no Brasil", que, segundo ele, contribui para elevar as taxas de juros, além de reduzir o volume de crédito disponível para empréstimos.

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A Febraban afirma ainda que é importante ampliar o tempo do estudo, por considerar que o mesmo foi feito para o intervalo de 1997 a 2002, período atípico, em função da ocorrência da reestruturação bancária e da crise do Real em 1999, que pode ter gerado distorção nesses números.