O relatório parcial das Comissões Parlamentares Mistas de Inquérito (CPMIs) dos Correios e da Compra de Votos diz que é "perfeitamente plausível" a tese de que os empréstimos feitos pelo empresário Marcos Valério no Banco Rural e no BMG para o Partido dos Trabalhadores (PT) foram simulados para dar aparência lícita a dinheiro de origem ilícita.
De acordo com o documento, o dinheiro seria destinado ao "bolso de políticos sob o falso argumento do pagamento de dívidas passadas".
O relatório afirma que "não convence a ninguém" a versão de que Marcos Valério tenha garantido os empréstimos ao PT apenas em nome da amizade com o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. "Para quem não se recusa a enxergar, surge claro como a luz do sol que essa singela justificativa não passa de uma desculpa esfarrapada, combinada entre Marcos Valério e Delúbio Soares", relata.
O documento também diz que não é crível que o Banco Rural e o BMG tenham feito esses empréstimos, "com garantias frágeis", apenas em nome do relacionamento e da confiança que tinham em Marcos Valério. De acordo com relatório, toda instituição financeira se cerca de garantias. "Quanto maior o valor a ser financiado, mais sólidas são as garantias exigidas, como as reais, incidentes, na maioria das vezes, sobre imóveis de propriedade do mutuário".
Segundo o relatório, os credores estão resignados com os calotes, ou se ressarciram por vias transversas. O documento também questiona os pagamentos em 2003 e os relaciona às eleições municipais em 2004.