Relatório culpa excesso de chuva pela queda de ponte

O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) divulga amanhã um relatório apontando o excesso de chuva como a principal causa da queda de uma ponte sobre a represa Capivari-Cachoeira, no quilômetro 42,6 da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), município de Campina Grande do Sul (PR), no dia 25 de janeiro. O acidente causou a morte de uma pessoa, ferimentos em outras três e a interdição de uma das pistas da rodovia.

O objetivo do órgão, que convocou a imprensa para a apresentação do relatório, é acabar com a polêmica causada pela divulgação, pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), de ocorrências apontando a falta de manutenção da ponte. O relatório, assinado pelo engenheiro Eduardo Calheiros de Araújo, coordenador de Estruturas do Dnit em Brasília, conclui que a causa provável do acidente foi uma chuva com intensidade de precipitação de 83 milímetros ocorrida naquele dia, "intensidade próxima da ocorrida no mês inteiro em anos anteriores".

Segundo o relatório, o acesso foi construído há mais de 35 anos e não apresentava sinais de instabilidade. O laudo contraria as constatações feitas pela PRF, que vinha denunciando a falta de conservação da ponte. De acordo com ofício datado de 6 de outubro de 2004 e assinado pelo chefe da 1ª. Delegacia da PRF, Adriano Marcos Furtado, os policiais do expediente tinham constatado que "a ponte do km 43 da BR-116 está sem as juntas de dilatação". Em outro ofício, de 7 de janeiro deste ano, Furtado informa sobre "a falta de manutenção nas cabeceiras das pontes, bem como sinalização, conservação, construção de novas proteções e recuperação das cabeceiras no trecho da BR-116 da divisa de SP/PR ao km 71".

O coordenador do Dnit no Paraná, Rosalvo De Bueno Gizzi, disse que as ocorrências denunciadas pela PRF eram rotineiras e genéricas. "Os policiais percorriam a rodovia e relatavam problemas como buracos, princípios de deslizamentos, mato, coisas assim." A falta de juntas de dilatação, segundo ele, ocorreu na outra ponte que permanece em pé. O problema já foi corrigido.

Segundo Gizzi, caso os policiais constatassem a existência de risco de desabamento da ponte, a própria PRF teria a obrigação de interditar o local para evitar um acidente."Eles não o fizeram porque não era possível prever esse risco."

A delegacia da PRF em Curitiba não quis comentar as afirmações do coordenador do Dnit. O chefe substituto Vilmar de Castro informou que regularmente são comunicadas, através de ofício, as condições de trafegabilidade – buracos na pista, vegetação, sinalização, problemas nas cabeceiras e guardas-corpos das pontes – solicitando providências.

No dia 21 de janeiro, 4 dias antes do acidente, uma equipe do Dnit realizou reparos no leito da ponte que caiu.

Segundo a assessoria do órgão em Brasília, está sendo preparado um programa emergencial de recuperação das 5 mil principais pontes existentes no Brasil. Cerca de 50% já foram vistoriadas. O programa será lançado ainda este semestre com recursos previstos no orçamento do Ministério dos Transportes para a recuperação da malha nacional.

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