O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), fez um balanço parcial do depoimento do ex-deputado e presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

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Para Abi-Ackel, até agora, a afirmação mais importante do ex-deputado foi que os R$ 6,5 milhões que teriam sido pagos ao PL pelo empresário Marcos Valério foram gastos na cobertura de despesas no segundo turno da eleição presidencial de 2002, em São Paulo.

"Não é possível afirmar se essa informação compromete o presidente Lula. Não sei se o presidente sabia ou se estava de acordo com isso. Só do conjunto de provas poderemos extrair essa informação, mas esse esclarecimento é surpreendente", afirmou Abi-Ackel.

Valdemar Costa Neto reafirmou que recebeu R$ 6,5 milhões do PT pelo acordo fechado entre os partidos nas eleições de 2002, quando foi feita a aliança PT-PL. Segundo Valdemar, o recurso foi utilizado para o pagamento de despesas, em São Paulo e na região metropolitana, da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições. "Mandava fazer botton, mandei fazer adesivo, camiseta, banner. Rodei tudo em São Paulo", disse.

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O ex-deputado continua seu depoimento na comissão. Há pouco, ele afirmou que o presidente Lula não tinha conhecimento do caixa 2, que nunca conversou com o deputado e ex-ministro José Dirceu (PT-SP) sobre esse assunto e que nunca tinha ouvido falar sobre Toninho da Barcelona (o doleiro Antonio Oliveira Claramunt).

Sobre o motivo de sua renúncia ao mandato de deputado federal pelo PL, Valdemar Costa Neto disse que não estava disposto a comprometer o partido ou se submeter às chantagens do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). "Roberto Jefferson usa a inteligência para o mal. Ele sabia que, se falasse só sobre o caixa 2, não haveria repercussão. Por isso, inventou o mensalão", afirmou o ex-deputado.

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