Representantes da indústria de todo país reúnem-se na próxima terça-feira, em
São Paulo, para discutir a proposta da Reforma Sindical.  O objetivo do
encontro, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é unir lideranças
empresariais e diretores de Federações industriais, Associações setoriais e
Sindicatos para analisar o tema, e organizar uma mobilização para alterar a
proposta que já tramita no Congresso Nacional.

O Presidente da CNI,
Armando Monteiro Neto, considera que a proposta representa a modernização do
sindicalismo no país, mas diz que muitos pontos da proposta podem aumentar o
custo da produção. "Esse é um instituto que vai estimular conflitos e criar
passivos para as empresas e, até mesmo, desvalorizar empresas brasileiras,
quando o investidor estrangeiro tomar conhecimento de que no Brasil o sindicato
pode, independentemente de quem represente, acionar uma empresa sobre qualquer
assunto",afirma.

O setor produtivo questiona também a obrigatoriedade da
representação sindical na empresa, a partir de um número determinado de
funcionários. Para o presidente da CNI, a determinação se traduz em ingerência
na administração da empresa e um fator de perturbação e conflito. "Algumas
empresas já abrigam representações sindicais não de forma imposta, mas como
fruto de um processo de negociação, refletindo o amadurecimento da relação
interna entre empresa e empregados", lembra.

Monteiro Neto critica ainda
a ampliação do número de dirigentes sindicais nas empresas, porque, segundo ele,
isso levará ao aumento dos empregados estáveis e à extinção das comissões de
conciliação prévia, o que, na opinião dele, pode garantir aos sindicatos o
monopólio, e o não-reconhecimento da eficácia jurídica plena dos acordos
coletivos. "Isto gera um quadro de insegurança quanto ao que se pactua nos
acordos", afirma.

Ele ressalta que os empresários defendiam a avaliação
das Reformas Sindical e Trabalhista simultaneamente. "Vamos agora nos empenhar
no sentido de que o Fórum Nacional do Trabalho e o Governo assumam o compromisso
de mandar a PEC da Reforma Trabalhista para o Congresso ainda neste ano. A
Reforma Trabalhista é a que mais interessa ao País", conclui.