O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa pelo Ministério da Justiça a definir a reforma ministerial. Ele terá reunião hoje com o Conselho Político e a seguir, em caráter reservado, com o ministro demissionário Márcio Thomaz Bastos, com quem discutirá a seleta lista de alternativas que dispõe para a pasta. O primeiro nome é o do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, mas resistências dentro e fora do PT podem adiar a definição

Tarso abriu nos últimos dias uma briga política com setores do Campo Majoritário, corrente predominante do PT, defendendo em documento uma espécie de depuração ética do partido, com o afastamento de representantes dessa linha, envolvidos com acusações de participação em escândalos. O Campo Majoritário ocupa hoje a presidência do PT, com o deputado Ricardo Berzoini, e tem como seu integrante mais ilustre o próprio presidente Lula

No caso de a indicação de Tarso para a Justiça não resistir às pressões, voltam ao cenário os nomes do ministro Sepúlveda Pertence, do Supremo Tribunal Federal (STF) e – com menor chance – o de Nelson Jobim, ex-ministro do STF. A primeira questão a ser dirimida é se o novo ministro terá perfil técnico, como Sepúlveda, ou político, como Tarso, ou misto, como Jobim. Embora tenha grande apreço por Tarso, Bastos prefere ser substituído por um jurista de notório saber, por entender que a pasta funciona melhor com um técnico e, como ele, sem filiação partidária.

Na hipótese de continuar embaralhada a escolha, Lula poderá optar por deixar um interino à frente do ministério para não prejudicar ainda mais a vida pessoal de Bastos, que já mandou sua mudança para São Paulo e há mais de um mês aguarda a definição do substituto.

Se de um lado Bastos anunciou que não fica – "já fiquei mais de um mês a pedido do presidente" – de outro, Tarso admite ocupar a vaga, se for convidado. "Não conversei objetivamente com o presidente, mas considero que minha agenda da coordenação política terminou. Vamos esperar o que o presidente me indica para o próximo período", disse ele.

Político hábil, administrador eficiente e tarefeiro disciplinado do PT, Tarso Genro é o preferido de Lula. Mas tem a resistência de caciques petistas, sobretudo o ex-ministro José Dirceu, que exerce poder inquestionável na máquina partidária. O cargo também é cobiçado por parceiros da coalizão, como o PMDB.

Aliado de Dirceu, Ricardo Berzoini aparentemente não quer se meter no processo de disputa. "Tarso é um quadro destacado do PT mas esse cargo faz parte da cota pessoal do presidente e ele não precisa submeter o nome ao partido", enfatizou. Além disso, conforme Berzoini, o PT decidiu não fechar posição por nenhuma pasta, no momento, para facilitar o acordo de coalizão com os demais partidos da base aliada. "Apostamos no fortalecimento da coalizão e depois, no momento oportuno, levaremos ao presidente, em caráter reservado, as áreas do nosso interesse", completou.