A construção de um modelo alternativo de segurança pública e a reivindicação de que o Estatuto do Desarmamento funcione na prática serão os principais temas debatidos durante a passagem da Rede Desarma Brasil por Brasília, hoje (7) e amanhã (8).

A Rede, composta por várias organizações sociais, entre elas, o Movimento Viva Rio, vai percorrer 15 capitais brasileiras colocando o tema da segurança pública em discussão com lideranças comunitárias, redes religiosas e organizações não-governamentais. A caravana já passou por Recife (PE), Salvador (BA) e Natal (RN).

Constituída por comitês em 20 estados, a Rede Desarma Brasil decidiu ampliar sua agenda. Além da discussão sobre o controle de armas, vai tratar também da melhoria da polícia e da educação para pais. Para o coordenador de Religião e Paz do Movimento Viva Rio, André Porto, o cidadão brasileiro precisa entender que país conquistou uma das leis mais avançadas do mundo em termos do controle de armas que é o Estatuto do Desarmamento.

?O estatuto está salvando vidas. Somente no primeiro ano da implementação, em 2004, já houve uma redução de 8% no número de mortes por arma de fogo após 13 anos que esse índice só subia?, afirmou.

Porto explicou que o estatuto é composto por 35 artigos e apenas um, o que propôs o referendo sobre a proibição da venda de armas de fogo e munição, ?caiu?. ?Os 34 artigos do estatuto continuam valendo. É fundamental que a sociedade civil organizada, igrejas, ONGs e movimentos sociais continuem cobrando das autoridades o cumprimento da lei.?

Para André Porto, é necessário desenvolver um modelo de segurança pública integrado, em que as polícias Civil e Militar atuem em conjunto. Além disso, seria necessário uma interlocução entre as polícias e a comunidade. ?A gente vive em um país em que a cada 100 assassinados, em média, só cinco vão a julgamento e só duas pessoas são condenadas.?

?Até uma criança percebe que se o crime organizado seqüestra o estado mais aparelhado e mais rico do país a segurança também precisa ser organizada, tem que ter políticas integradoras.?