Rio de Janeiro – Vinte e quatro fundos fazem parte da Rede Brasileira de Fundos Sócio-Ambientais, que começou a funcionar oficialmente nesta terça-feira (7). Criada em junho, a rede tem por objetivo fazer com que os fundos ambientais, existentes há 18 anos no país, saiam efetivamente do papel.

O secretário-executivo da rede, Elias Araújo, informou que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 10% dos 900 fundos brasileiros estão ativos.

?Eles são responsáveis por liberar dinheiro para projetos de pequeno e médio porte. Iniciativas simples, mas que acabam envolvendo a vida de grupos como os indígenas, quilombolas e agricultores familiares?, explicou. ?O objetivo é fazer com que as boas práticas existentes possam servir de referência para fundos que ainda não conseguiram sair do papel?.

Em 2005, apenas 300 dos projetos ambientais de pequeno e médio porte chegaram a ser financiados, entre públicos e particulares, diz Araújo. Um dos motivos seria a dificuldade dos pequenos grupos para organizarem seus projetos.

Por isso, uma das idéias da rede é criar uma página na internet com informações sobre todos os fundos disponíveis. ?A criação da rede torna possível que a pequena organização local, como uma cooperativa de catadores, possa acessar mais facilmente os recursos de um fundo. E isso pode se dar através de um processo de qualificação as organizações que apresentam projetos?.

Segundo a assessoria do Ministério do Meio Ambiente, mais 50 fundos ambientais também manifestaram interesse em participar da rede. Os 24 fundos inicias já estão sendo capacitados com recursos da ordem de R$3,2 milhões.

Paralelamente à 1ª Assembléia da Rede Brasileira de Fundos Sócio-Ambientais, que ocorre até sesta sexta-feira (10), acontece a 8ª Assembléia da Rede de Fundos Ambientais para América ?Latina e Caribe (Redlac), no Instituto para o Desenvolvimento Empresarial e Acadêmico, na zona sul do Rio.

Representantes de 25 fundos ambientais de 18 países que compõem a RedLac, da qual o Brasil faz parte, estão discutindo formas de ajudar a proteger o meio ambiente da região.

Uma das propostas é a criação de um fundo ambiental para financiar ações nos países que compõem a Bacia Amazônica. Seria o primeiro tipo de financiamento brasileiro para o meio ambiente em parceria com países da América Latina. 

?A idéia é do banco de cooperação alemão KFW e seria para áreas de conservação da região Amazônica. A exemplo do que acontece com o Mar Fund, que une Guatemala, Belize, Honduras e México em torno da proteção de bancos de recifes da região?, explicou o presidente da RedLac, Alberto Paniagua.