Prefeitos, moradores e comerciantes dos municípios de Manoel Ribas, Cândido de Abreu e Reserva, na região Central do Estado, estão comemorando a recuperação total feita pelo Governo do Estado dos quase 170 quilômetros da BRs 487, 239 e 441, que ligam os municípios à BR-376. As rodovias integram regiões isoladas ao grandes centros urbanos e são estratégicas para os produtores rurais.

Antes, por causa da péssima condições do trecho, os motoristas eram obrigados a desviar o trajeto por Guarapuava para chegar em Curitiba, o que significava um aumento substancial no preço do frete por causa da longa distância e das tarifas do pedágio.

"Estamos acelerando a recuperação das rodovias paranaenses para criar melhores condições de escoamento da safra dos produtores e também para cumprir o compromisso de recuperar 95% delas até o final de 2006", afirma o governador Roberto Requião.

Trechos

A recuperação do trecho de 115 quilômetros entre Cândido de Abreu e a BR-376 já foi concluída e deve ser inaugurada pelo governador nas próximas semanas. As obras começaram em julho de 2003 e terminaram em dezembro de 2004. Só neste trecho, o DER investiu cerca de R$ 20 milhões.

Já entre Manoel Ribas e Cândido de Abreu, trecho de 51 quilômetros, o governo concluiu a operação tapa-buraco e, a partir de fevereiro, deve iniciar a recuperação total da rodovia. Nesta obra, que esteve interrompida nos últimos seis anos, o DER vai empregar outros R$ 3,5 milhões.

Em Cândido de Abreu, foram investidos ainda, através da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, outros R$ 630 mil na restauração de 35 mil metros quadrados das avenidas Paraná e Cândido de Abreu.

O secretário dos Transportes, Waldyr Pugliesi, adianta que, a partir de março, o governo vai autorizar a recuperação total dos 54 quilômetros entre os municípios de Pitanga e Nova Tebas.

"Esse trecho está entre os piores da região por negligência do governo anterior", afirma. "Vamos recuperá-lo para que os motoristas tenham alternativas ao pedágio e para que possam escoar sua produção com mais agilidade e rapidez".

Fim do isolamento

Pedro Paulo Coelho, dono de um posto de combustível, é um dos comerciantes de Cândido de Abreu que está comemorando a recuperação das rodovias. Há três anos ele emprestou R$ 50 mil do Banco do Brasil para montar o seu negócio. Hoje, graças a obra, Coelho já conseguiu pagar o financiamento e seu faturamento aumentou em 50%.

Ele conta que, antes da recuperação, a viagem entre Cândido de Abreu e Curitiba levava, no mínimo, seis horas. Hoje, o mesmo deslocamento leva três horas e custa menos porque há a possibilidade de desvio do pedágio.
"Estávamos isolados e a perspectiva para o comércio era muito ruim porque ninguém passava por aqui. O problema era a péssima condição da rodovia. Até os ônibus haviam deixado de circular na região. A recuperação abriu os caminhões do futuro para Cândido de Abreu", afirma.

O agricultor Gumerciando Alves Batista, morador de Três Bicos, diz que a obra reanimou os produtores. "Isso porque facilitou o escoamento e também porque motivou a Coamo (Cooperativa de Campo Mourão) a aumentar seu entreposto na cidade. É um sonho que está se tornando realidade", diz.

A Coamo está investindo R$ 7 milhões no novo empreendimento em Cândido de Abreu, obra que vai duplicar a capacidade de armazenagem de grãos da cooperativa na região. "Temos que tirar o chapéu para o Requião e para o Pessuti", afirmou o agricultor Albino Bogose, que planta milho e feijão, referindo-se também ao secretário da Agricultura.

O comerciante Celso Luiz Balmann, dono da loja de ferramentas e insumos Candiabreu, conta que a péssima condição do acesso ao município estava prejudicando todos os comerciantes. Os vendedores, lembra, já não visitavam a cidade. "Eles faziam os pedidos por telefone e o tempo de entrega estava aumentando. O resultado era que estávamos ficando sem mercadorias", conta.

A informação foi confirmada por Wilson Kuiavski, motorista de entrega de uma empresa de alimentos, empresa instalada em Cantagalo. Ele conta que visitava Cândido de Abreu a cada 20 dias, mas nos últimos quatro anos as entregas só ocorriam a cada dois meses. "Não compensava porque em cada viagem a empresa tinha que trocar suspensão, molas, amortecedores ou pneus. Era prejuízo na certa. Hoje estamos fazemos o trecho num menor tempo e com muito mais segurança", afirma.