O candidato do Campo Majoritário, deputado Ricardo Berzoini, é o novo presidente do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores. Seu adversário no segundo turno, Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre e deputado estadual pelo Rio Grande do Sul, reconheceu a vitória do contendor, como se esperava, por margem escassa de votos.

Começa de novo a história do partido. Não pela insensatez de dirigentes que se imaginam donos da verdade ou pela suposição de que antes deles, como na época dos faraós e imperadores chineses, não houve história.

Ao contrário, o recomeço petista se impõe depois de 25 anos de honrada caminhada para evitar que o partido se transforme, conforme as derradeiras evidências apontavam, numa legenda a mais no picadeiro dos manjados atores da política nacional.

Berzoini assume com a responsabilidade de reaglutinar sob a estrela petista os militantes que resistiram à virulência do processo de desarticulação e assentaram praça em torno dos ideais históricos do partido. Ainda é cedo para imaginar qual será a reação dos setores situados à esquerda na concepção da luta encarnados em Raul Pont, na verdade portador dum discurso pragmático, mas essencialmente intelectual.

Para o presidente Lula a vitória de Berzoini, logo após a conquista da presidência da Câmara com Aldo Rebelo, foi como um bálsamo a pensar feridas ainda abertas pelo dilúvio delubiano.