A Receita Federal começa já em fevereiro a intimar profissionais da área de saúde – como médicos e dentistas, entre outros – e proprietários de imóveis suspeitos de sonegação a darem maiores explicações sobre suas declarações. Durante 2003, a Receita levantou dados sobre despesas médicas dedutíveis do Imposto de Renda Pessoa Física relativas ao período de 1999 a 2002 e descobriu mais de 10 mil profissionais cujos recibos entregues aos clientes tinham valores diferentes dos declarados ao Fisco.

Segundo o secretário-adjunto da Receita, Paulo Ricardo de Souza Cardoso, há três explicações para essas diferenças: os médicos não declararam valores recebidos de clientes que pediram recibo; os clientes apresentaram recibos “turbinados” em suas declarações; os médicos venderam recibos.

A Receita também fez no ano passado um levantamento junto a imobiliárias e administradoras de imóveis e concluiu que 470 mil contribuintes declararam ter renda com aluguel em 2002. A renda média por contribuinte foi de R$ 13 mil.

No entanto, a Receita também percebeu, pelos dados fornecidos pelas imobiliárias, que 260 contribuintes teriam recebido mais de R$ 1 milhão no ano retrasado com aluguéis. O organismo vai agora começar a verificar se os proprietários declararam essa renda integralmente.

Cartão de crédito

A Receita começou no ano passado a checar se os valores movimentados pelos contribuintes no cartão de crédito são compatíveis com as movimentações de dinheiro declaradas. No entanto, Cardoso informou ainda não ter feito um balanço dessa ação porque só concluiu os levantamentos dos movimentos com cartão em dezembro e ainda não teve tempo suficiente para cruzá-los com os dados de rendimentos dos contribuintes.