As vendas de jogadores de futebol ao exterior estão engrossando as estatísticas das exportações brasileiras. As receitas ingressadas no País com a venda de atletas tiveram, no ano passado, o maior crescimento dos últimos oito anos. Avançaram 55% em 2005, ano da ida do craque Robinho para o Real Madrid, e já superam a marca de US$ 1 bilhão em 12 anos.

Mais precisamente, US$ 1,01 bilhão renderam, de 1994 a 2005, as crescentes remessas ao exterior do talento brasileiro no futebol. Os dados constam das operações registradas no Banco Central (BC), dentro da rubrica de serviços empresariais, profissionais e outros técnicos.

No primeiro bimestre deste ano, o movimento continua forte e a transferência de recursos com venda de passes para o País soma US$ 25,8 milhões, conforme dados recentes do BC.

No ano passado ocorreram 804 transferências de jogadores de clubes brasileiros para times do exterior, segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), quase a mesma quantidade de 2004 (857). Como diz a economista da Fundação Getúlio Vargas Lia Valls, em tom de brincadeira, no ano passado deve ter sido vendido algum jogador ou um grupo de jogadores mais caros que em 2004.

O ano foi marcado pela transferência de Robinho, craque revelado pelo Santos, para o futebol espanhol. O novo camisa 10 foi o maior reforço do clube de super estrelas para a temporada européia. Também no passado o artilheiro do Cruzeiro Fred seguiu para o Lyon, da França. O valor da transação foi estimado em 15 milhões no meio futebolístico.

Tamanho movimento de recursos vem chamando a atenção, nos últimos anos, das autoridades federais. Em dezembro, por exemplo, a Polícia Federal deflagrou a chamada Operação Firula, "para desarticular um grande esquema de transações financeiras ilícitas, envolvendo particularmente negociações com jogadores de futebol", informa a PF. Os crimes investigados são de evasão de divisas e sonegação fiscal.

Antes da década passada, jogadores brasileiros já haviam brilhado em gramados estrangeiros. Depois de jogar pelo Flamengo Evaristo de Macedo disputou a temporada de 1958 do campeonato espanhol pelo Barcelona, de onde saiu para o Real Madrid, quatro anos depois. Nas sete temporadas em que jogou na Espanha, ganhou quatro títulos, dois por cada clube. Na década de 80 o movimento se intensificou com o êxodo de jogadores como Falcão, Zico e Sócrates para o futebol italiano.

Como na pauta brasileira de produtos, houve também diversificação regional nas exportações de jogadores. No ano passado, 40 jogadores foram para o Japão, 20 para a Alemanha, 15 para a Arábia Saudita, 14 para Venezuela, 12 para os Estados Unidos, 9 para o Irã, 7 para a Áustria, 6 para a Bósnia-Herzegovina, 5 para a China, 5 para Hong Kong e 3 para Angola, entre outros destinos.