A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou hoje, com a divulgação de uma edição especial da Sondagem Industrial, que o processo de valorização do real, desde o início de 2003, desencadeou a "transformação da estrutura de comércio exterior da indústria brasileira", ao afetar os preços relativos.

Segundo o documento, insumos e matérias-primas de origem nacional passaram a ser gradativamente substituídos por concorrentes importados e esse processo deve ser intensificado neste ano, adverte a CNI. Em 2005, o total de grandes empresas que se valem de insumos e matérias-primas estrangeiras cresceu 71%, em relação a 2004. No ano anterior, havia aumentado 69%.

Entre pequenas e médias empresas, os crescimentos foram de 34%, em 2004, e de 33%, em 2005. Para 2006, a maioria das empresas consultadas informou que vai aumentar a aquisição desses bens importados, sobretudo as de grande porte. Essa situação, de acordo com o boletim, indica que a valorização do real em relação ao dólar estimula a substituição de insumos e matérias-primas nacionais por importados, em um movimento contrário ao ocorrido até 2003. Em 2006, 10,6% das empresas que não utilizavam esses bens estrangeiros alegaram que, neste ano, passarão a importá-los. A pesquisa ouviu 26 setores industriais.

O levantamento constatou que as empresas industriais exportaram menos em 2005, sobretudo pela menor exposição de pequenas e médias companhias no processo de vendas ao exterior. A situação deverá piorar em 2006. O levantamento concluiu também que não houve variação no número de empresas da indústria de transformação que se dedicaram à exportação no ano passado. Nesse setor, 79% das grandes companhias e 35% das pequenas e médias atenderam ao mercado exterior proporções similares aos de 2004.

A pesquisa indicou que a participação das exportações no faturamento das companhias de grande porte aumentou de 22,6%, em 2004, para 24,2%, em 2005. Para pequenas e médias empresas, essa fatia manteve-se constante passou de 7,4% para 7,3%. Para os próximos seis meses, a maioria das grandes empresas prevê que suas exportações vão se manter estáveis. As pequenas e médias, entretanto, apontam queda nos embarques.