Os reajustes divulgados hoje para a gasolina, o GLP e o óleo diesel terão um impacto total de 0,68 ponto porcentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, meta de inflação do governo), segundo cálculo da economista Marcela Prada, da Tendências. Segundo ela, a maior parte desse impacto ocorrerá no índice de novembro, já que os reajustes passam a vigorar a partir do início da próxima semana.

Marcela espera um “resultado bem forte” para a inflação de novembro, que sofrerá também impacto do reajuste de energia elétrica no Rio de Janeiro e das pressões do dólar sobre os preços livres. As contas da economista para o cálculo do impacto do aumento da gasolina no IPCA projeta um repasse de 9,7% para o consumidor, do reajuste de 12,9% nas refinarias. Desse modo, a gasolina sozinha tem impacto de 0,40 ponto porcentual no IPCA.

No caso do GLP, a projeção é de um repasse de 16% para o consumidor, do reajuste de 22,8% nas refinarias, com impacto de 0,27 ponto porcentual na inflação. No caso do diesel (aumento de 20,5% nas refinarias) a conseqüência sobre o IPCA é praticamente nula (0,01 ponto porcentual).

Já o economista da PUC-RJ e membro do conselho consultivo do IPCA, Luiz Roberto Cunha, estima que o impacto dos reajustes sobre o índice estará concentrado em novembro, com efeitos “apenas marginais” para a inflação de dezembro. Ele projeta um IPCA em torno de 1,5% em novembro, sendo que desse total 0,58 ponto porcentual como impacto direto do reajuste da gasolina (0,36 ponto porcentual), do GLP (0,21 pp) e do diesel (0,01 pp).

Para Cunha, esse aumento da inflação será “pontual” e não há motivos para temer novos reajustes de preços dos combustíveis, já que a tendência, para ele, é de queda na cotação do dólar e no preço internacional do petróleo. Cunha acredita que, incluindo os reajustes anunciados hoje, o IPCA acumulado em 2002 será de 9%.