O reajuste salarial de parlamentares, ministros e do presidente da República, aprovado pela Câmara, deverá engordar também os cofres de alguns dos principais partidos políticos do País. Boa parte das legendas adota a prática de cobrar um dízimo dos ocupantes de cargos eletivos, que pode chegar a 30% de sua remuneração mensal.

Para avaliar o impacto do reajuste nos caixas, o jornal O Estado de S. Paulo levou em consideração o fato de várias legendas cobrarem o dízimo sobre o salário líquido de seus políticos. Foram descontadas a contribuição ao INSS e a alíquota efetiva de Imposto de Renda. Pelas contas, o novo salário líquido dos parlamentares foi estimado em R$ 12.265,65; dos ministros, em R$ 8.087; e, do presidente Lula, em R$ 8.574,04. Os números são baseados nos novos salários de R$ 16.512,09, R$ 10.748,43, e R$ 11.420,21, respectivamente.

Principal beneficiado, o PT deverá receber mensalmente R$ 260,6 mil, já que cobra de todos os ocupantes de cargos eletivos o equivalente a 20% do salário líquido. A sigla conta com a segunda maior bancada na Câmara, de 83 deputados, além de 12 senadores, 16 ministros e o presidente Lula. De acordo com o tesoureiro da legenda, Paulo Ferreira, todos estão em dia com a contribuição.

No PPS, que cobra 10% sobre o líquido, o aumento deverá se reverter em um reforço mensal de caixa de R$ 20,8 mil, R$ 4,5 mil a mais. No PSOL, uma das legendas com maior dízimo – 30% sobre o líquido -, a receita mensal com as contribuições passará de R$ 11,5 mil para R$ 14,8 mil.