A decisão do governo de conceder um reajuste salarial de 23% para os militares, com 13% a partir de outubro e 10% a partir de agosto de 2006, terá um impacto total de R$ 4,6 bilhões nas contas do governo neste e no próximo ano. O cálculo é do economista Guilherme Loureiro, da Tendências Consultoria.
Após oito meses de negociação, o reajuste foi anunciado na noite de sexta-feira. A decisão contraria os militares que queriam um aumento imediato de 23%. Mas o reajuste desagradou também à equipe econômica, que concordava com 13%, em duas parcelas.
Neste ano, o gasto adicional do governo será de R$ 820 milhões, já que o reajuste de 13% ocorrerá apenas nos últimos três meses de 2005. Já em 2006, o gasto adicional com os militares será de R$ 3,8 bilhões, sendo 13% até julho e 23% a partir do mês de a gosto. No total, a decisão do presidente Lula terá um impacto de R$ 4,6 bilhões.
A equipe econômica queria dar os 13% em duas vezes – 7% em setembro ou outubro e 6% no ano que vem, encerrando a negociação com a categoria. Pelos cálculos de Loureiro, o impacto dessa proposta seria de R$ 441 milhões neste ano e de R$ 2,8 bilhões em 2006, se o reajuste valesse já a partir de janeiro do ano que vem. No total, o impacto ficaria em torno de R$ 3,2 bilhões.
De acordo com Loureiro, o gasto do governo em 12 meses até janeiro (último número disponível) com o pagamento de militares foi de R$ 20,8 bilhões, o que representa um gasto médio mensal de R$ 1,7 bilhão. A folha de pagamentos é formada por 659 mil milit ares, sendo 345 mil na ativa, 131 mil aposentados e 183 mil pensionistas.


