Benin, um minúsculo país africano cujas relações com o Brasil são necessariamente pequenas, recebeu a visita do presidente Lula e sua comitiva durante o périplo que o presidente brasileiro realizou pelo continente africano. Há uma ligação histórica entre Benin e o Brasil, significativa, se bem que vexatória. Foi de lá que vieram escravos que ajudaram a construir o Brasil e marcar nossa história com uma vergonha que ainda não se conseguiu apagar. Lá vivem ex-escravos que do Brasil voltaram e tal fato justificaria a visita do presidente do nosso País.

A viagem de Lula à África, especialmente à subsaariana, não tem muitas justificativas, a não ser no que se refere à África do Sul, um país emergente como o nosso. Mas navegar é preciso, nem que seja por via aérea. E reviver também é preciso. Que nos perdoe o poeta Fernando Pessoa.

Em Benin, procurado pela imprensa brasileira que o acompanhou, Lula queixou-se de fatos que de fato acontecem, recheados de intenções críticas à sua atuação, mas que são próprios de qualquer país que mereça ou julgue merecer o galardão de democrático.

Indagado sobre quando vai anunciar sua candidatura, pediu que o deixem governar, como se a indagação que lhe fazem até mesmo os seus companheiros e correligionários, de alguma forma, obstaculize o exercício do poder.

Antes de mais nada, perguntar não ofende. No mais, o que impede alguém de governar é falta de capacidade ou apoio político. Ou outros motivos que passam longe das perguntas pertinentes da imprensa que as faz porque existem dúvidas e ainda em razão de que é sua obrigação fazê-las. Lula, embora por mais de uma vez tenha falado e agido como candidato, insiste que só declarará se disputa a reeleição no último minuto da derradeira hora, em junho, com o que não concordam nem mesmo pessoas influentes do seu governo, como o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Este acaba de dizer que entende preferível que a candidatura Lula à reeleição seja lançada logo.

É possível, mas não provável, que Lula esteja esperando que fatos e atos aconteçam, tornando sua candidatura factível, dentre eles o apoio de um grande partido, e aí leia-se PMDB, e a comprovação do apregoado espetáculo econômico que estaria ensaiando o primeiro ato com mais de ano de atraso. Sem dinheiro, sem estrutura política, com um PT minúsculo e endividado financeira e eticamente, dá medo de aceitar a candidatura à reeleição.

Mas se ele não for o candidato situacionista, quem poderá sê-lo? Ninguém. Daí concluir-se que por mais adversas sejam as circunstâncias, Lula vai ser candidato, se já não o é. O presidente ainda queixou-se das acusações que lhe fazem de já estar fazendo campanha, viajando de cá para lá e de lá para cá, dentro do território nacional, comparecendo a todo tipo de cerimônia, seja o lançamento de pedras fundamentais, de projetos, inaugurações de obras do seu governo, de governos anteriores ou mesmo da iniciativa privada. Sempre com ruidosos e popularescos discursos.

Inevitável que a oposição o acuse de já estar em campanha, contrariando a legislação eleitoral. E, para impedir essa campanha, que seria ilegal, já entrou com representações no Tribunal Superior Eleitoral. Isso não é impedir de governar. É apenas tentativa de identificar uma campanha eleitoral fora de época. Não valem as queixas e choramingas havidas em Benin.