Rio de Janeiro – Pela segunda semana consecutiva, o grupo Alimentação foi a classe de despesas que mais contribuiu para o recuo da taxa de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S).

A constatação é do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), que apurou uma variação de 0,38% no IPC-S coletado entre os dias 23 de março e 22 de abril ? resultado 0,07 ponto percentual inferior aos 0,45% do período encerrado no dia 15 de abril.

Embora a principal contribuição para o recuou na inflação tenha partido dos produtos in natura, como hortaliças e legumes (de 4,60% para 1,77%, entre uma semana e outra); e frutas (de 2,60% para 2,02%); também influenciou o resultado a queda de preços de alguns alimentos processados, como explicou o coordenador do IPC Brasil, da FGV, André Braz.

?O Grupo Alimentação como um todo foi a classe de despesas que mais contribuiu para o recuo do índice, mas também houve a influência de um bom número de alimentos processados, como aves e ovos, carnes bovinas, panificados e biscoitos, e doces e chocolates – todos produtos que apresentaram taxas menos intensas ou até quedas na variação?, enfatizou Braz.

Com menor intensidade do que o Grupo Alimentação, também o segmento de Despesas diversas contribui para a retração da inflação, com destaque para o item Mensalidade para TV por Assinatura, que recuou de 0,45% para 0,31%, entre uma semana e outra. 

Segundo o coordenador de Índices da FGV, a queda só não foi ainda mais intensa em função de alta captada em alguns outros itens. Este foi o caso das tarifas elétricas residencial em algumas capitais, a elevação da diária de alguns empregados domésticos por conta da alta do salário mínimo, e de medicamentos e combustíveis ? sobretudo o álcool por conta da entressafra.         

?Todos estes efeitos, aliados à variação do grupo Vestuário (de 0,79% para 0,90%), em razão da chegada da nova coleção às lojas, impediram uma queda anda maior do IPC-S, nesta última semana?.

Mesmo com estes últimos itens ainda influenciando o comportamento da taxa de inflação desta semana em curso, na avaliação do coordenador do IPC Brasil o segmento in natura continuará segurando a inflação e até mesmo levando à continuidade da queda da taxa.

?No segmento roupas a chega da nova coleção ainda continuará impedindo quedas maiores da taxa do IPC-S, assim como a continuidade da entressafra do álcool. Mas, ainda assim, a possibilidade de redução da taxa para esta semana ainda existe em função da pressa para baixo que vem fazendo o segmento de alimentos in natura?.

Na avaliação do economista da FGV, no entanto, o órgão aposta estabilidade da taxa de inflação medida pelo IPC-S no fechamento do mês, do que na possibilidade de queda da taxa, uma vez que os efeitos dos itens com tendência de aumento são mais ?visíveis? do que o da queda esperada novamente para o grupo Alimentação.

?Ainda ficamos muito nas mãos do segmento in natura, onde apesar da tendência da continuidade da queda, ainda é difícil prevê a direção dos preços?.