São Paulo – A desaceleração dos índices de inflação deve continuar abrindo caminho para redução dos juros nos próximos meses, segundo avaliação de especialistas. A perspectiva do mercado é de que a taxa básica de juros, a Selic, encerre dezembro em 18% ao ano e recue para 15% no fim de 2006.

"A tendência da inflação é declinante, se não ocorrerem choques", afirma o economista chefe da SulAmérica, Newton Rosa. Para o presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), Heron do Carmo, a trajetória é de queda da inflação, a não ser que ocorra "alguma bobagem". Heron pondera que poderão ocorrer elevações pontuais dos índices de inflação nos próximos meses, mas não a ponto de complicar o cumprimento da meta de inflação de 5,1% para 2005 e de 4,5% para o ano que vem.

O fato de vários indicadores de inflação terem registrado deflação nos últimos quatro meses, como os Índices Gerais de Preços (IGPs), e a Selic ter permanecido estável nesse período fizeram com que o juro real, que exclui a inflação, subisse.

Agora, porém, o quadro é mais favorável porque a trajetória da inflação é de queda e a do juro nominal também. Com isso, o juro real está caindo. Esse movimento, observa Rosa, já começou a ocorrer antes mesmo da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de cortar a taxa Selic.

No início deste mês o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza as metas de inflação, projetava uma inflação de 4,68% para os próximos 12 meses e os juros para 360 dias dos Certificados de Depósitos Interbancários estavam em 18 28%. Portanto, a taxa real de juros era de 12,99%, calcula Rosa. Mas, no começo desta semana, essa mesma taxa real de juros tinha recuado para 12,59% ao ano, levando-se em conta um IPCA projetado para 12 meses de 4,8% e juros do CDI de 17,99%.

"A queda do juro nominal leva à queda do juro real, num cenário de desaceleração da inflação", diz Rosa. Ele ressalta, no entanto, que para o consumidor a queda do juro real não faz a mínima diferença. "Juro real é ficção de economista", ironiza. O consumidor está interessado em saber se a prestação "cabe" no salário. E com a queda dos juros a perspectiva é de ampliação na oferta de crédito e nos prazos de pagamento.