Desejar um Ano Novo bom, próspero, cheio de felicidades é um costume consagrado e freqüentemente frustrado neste País. Pode ser que aconteça com muitas pessoas, mas a maioria há tanto tempo vive tão duras vicissitudes que os augúrios passaram a ser expressões de praxe, sem nenhuma correspondência na realidade. Não obstante, vamos desejar um Ano Novo bom, que não precisa ser róseo nem que apresente as benesses que os políticos e dirigentes deste País costumam prometer, mas que signifique a tomada de uma sólida e conseqüente posição frente à realidade e corajosas ações para enfrentá-la.

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As elites brasileiras, pouco a pouco, estão começando a entender que sua felicidade e segurança não pode estar ancorada na miséria e sofrimento da maioria de nossos concidadãos. Pelo contrário. O fato de a maioria dos brasileiros viver excluída dos benefícios do progresso que acontece, mas apenas para alguns, é o caldo de cultura da insegurança, da criminalidade, do perigo que hoje transforma todos os homens de bens (que têm bens), o que não significa homens de bem, em verdadeiros prisioneiros, enclausurados em suas mansões, com cercas eletrificadas e guardados por seguranças particulares.

As elites, sejam intelectuais, econômicas ou políticas, não podem persistir teimosamente na ignorância ou alienação dos problemas sociais da nação. Chegamos a um ponto de ?basta?.

Ninguém mais duvida, salvo alguns idiotas, que os mais graves males do Brasil resultam da má distribuição de riquezas, da improdutividade do nosso sistema econômico e do peso morto que muitas vezes o Estado significa na nossa economia. Isso quando não acontece de o Estado paquidérmico, por seu custo absurdamente alto e parcos resultados, funcionar como empecilho para o desenvolvimento, que, se ocorresse, seria a nossa redenção.

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É hora de criarmos coragem para desmontar os mecanismos que não funcionam e, com objetividade, buscarmos a inclusão social de milhões de brasileiros. Não como um mero objetivo de justiça, mas como quem persegue um caminho que nos trará o progresso que todos almejamos.

O Estado paternalista, com amplos programas sociais beneficentes, já experimentamos. E os resultados podem muito bem nos convencer de que não resolvem. São paliativos para alguns dos excluídos e funcionam como escusa para os governantes, que os apresentam como a prova de que estão preocupados com a situação dos pobres. São o velho método de dar peixes, ao invés de ensinar a pescar. Humilham os que necessitam e produzem desperdício de recursos que melhor seriam empregados na promoção do desenvolvimento, com geração de empregos. Empregos e boa remuneração é o que reclama o nosso povo. A esmola estraçalha o ser humano.

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Apesar de tudo, dá para desejar um feliz Ano Novo se considerarmos que este 2006 será um ano eleitoral. Com certeza, muitos mais uma vez desperdiçarão seus sufrágios, elegendo desonestos e incompetentes. Mas o ano de 2005 deu exemplos gritantes da má qualidade dos políticos que elegemos e isto servirá para que, nas urnas, este ano sejamos mais exigentes, mais vigilantes e possamos dar alguns passos adiante, rumo a um País justo e feliz.