Quase 40% dos 5,1 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que
trabalham não recebe remuneração. As que têm, respondem em média com 17% da
renda de suas famílias. Quase metade dos trabalhadores mirins vive em famílias
com renda familiar per capita de menos de meio salário mínimo.

"O
trabalho infantil está diretamente ligado às carências econômicas das famílias",
diz a pesquisadora do IBGE Bárbara Cobo. Em apenas um ano o número de crianças
de 5 a 9 anos que trabalham foi reduzido em 75 mil, de 282 mil para 207 mil
entre 2002 e 2003. Na população de 5 a 17 anos, a queda foi de 5,438 milhões
para 5,071 milhões no mesmo período.

Apesar dos avanços, ainda são
números muito elevados, na avaliação da coordenadora da Síntese de Indicadores
Sociais do IBGE, Ana Lúcia Sabóia. Dos 26,7 milhões de meninos e meninas com
idade entre 10 e 17 anos, 13,9% trabalham e estudam e 3,4% cuidam de afazeres
domésticos. Outro dado preocupante é que 3,4% desse universo, ou 910 mil meninos
e meninas, trabalham e não estudam, o que indica grande vulnerabilidade social.
Em 2002, pouco mais de 1 milhão de crianças e adolescentes só trabalhavam sem
freqüentar a escola. O percentual dos que só estudam é de 77,5%.