Quadro assustador

Mais algumas dezenas de vítimas passaram a fazer parte da estatística dos mortos em acidentes nas rodovias brasileiras. Fora o grande número de acidentados que carregam pelo resto da vida as seqüelas resultantes dos acidentes, cuja maior densidade está associada aos feriadões e às temporadas de férias.

O flagelo é mensurado pelos 300 acidentes produzidos por dia nas rodovias, ou seja, um a cada quatro minutos e meio. Em 2005, mais de 10 mil pessoas perderam a vida nas estradas em 109,47 mil acidentes, que custaram à sociedade algo em torno de R$ 22 bilhões, ou 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Importância maior que o orçamento do Ministério da Saúde!

Os números foram consolidados numa investigação elaborada pelo Instituto de Pesquisa em Economia Aplicada (Ipea), por encomenda do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). A base de dados foi fornecida pela Polícia Rodoviária Federal e os resultados finais alarmaram até mesmo especialistas do setor, que não esperavam quadro tão assustador.

Nossas rodovias matam, por ano, mais de mil pedestres e número igual de motoqueiros, indivíduos que integram o grupo mais vulnerável das estradas. Para chegar ao valor do custo econômico dos acidentes, os pesquisadores calcularam os gastos com a remoção das vítimas dos locais dos acidentes, cuidados subseqüentes com sua saúde e dispêndios previdenciários.

Perdas ocasionais de produção, resultantes da paralisação temporária ou permanente da atividade profissional, danos materiais, cargas perdidas, remoção de veículos acidentados e até a reposição de mobiliário público danificado ou destruído por colisões foram também contabilizados na pesquisa, que não desprezou sequer o cálculo do valor monetário do tempo usado pelos policiais no atendimento das ocorrências.

O dado mais impressionante foi exposto no custo médio de um acidente com morte no período de 1.º de julho de 2004 a 30 de junho de 2005: R$ 418,3 mil. Situação inimaginável que exige urgente paradeiro, mediante políticas que aliem educação, segurança e remoção das arapucas espalhadas nas rodovias nacionais.

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