A União deverá desembolsar este ano a quantia de R$ 145 bilhões para o pagamento dos juros da dívida pública, cerca de duas vezes o montante obtido pelo badalado superávit primário. Em verdade, um corte forçado nos gastos para a melhoria da infra-estrutura e avanço dos projetos sociais, numa punição abjeta dos mais pobres.

Enquanto isso, a Casa Civil assume o compromisso de tentar (atenção ao verbo) a liberação de recursos emergenciais para tapar a interminável buraqueira em que se transformou o trecho paranaense da BR-476, especialmente entre São Mateus do Sul e União da Vitória.

O clamor comunitário e popular, que se arrasta há anos, finalmente foi etiquetado pelo governo federal no capítulo das ?tentativas? de cumprir a missão administrativa para a qual foi eleito. A isso chegou o governo: trata uma importante via de escoamento da produção agropecuária e industrial, um corredor estratégico dos três estados da região Sul, como uma trilha de roça sem o menor significado.

A saga da BR-476 é digna do mais puro Kafka. Enquanto os veículos são destroçados pelas crateras, União e Estado discutem de quem é a competência de empunhar as pás e picaretas…