Depois de conseguir o apoio da bancada do PMDB, aliados do candidato Arlindo Chinaglia (PT-SP) querem agora que o governo determine que a base apóie o petista como única candidatura na eleição para a presidência da Câmara. O grupo argumenta que a maioria dos partidos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apóia Chinaglia. A pressão irritou o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que mantém sua candidatura, apesar de cada vez mais enfraquecida.

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‘Creio que esse movimento indica que meus adversários desejam ganhar uma partida por WO. Não querem um adversário em campo. Querem a volta olímpica sem jogo. Posso assegurar que isso não vai acontecer. Haverá, sim, concorrente em campo no dia 1º de fevereiro e a eleição será disputada no plenário’, reagiu Aldo. Ele disse não acreditar que Lula aceite esse tipo de proposta.

‘O presidente Lula me conhece há muito tempo e não aceitará qualquer tipo de proposta que tire da eleição o caráter que ela deve ter’, afirmou. A decisão do PMDB era tida como a justificativa para que os aliados de Chinaglia cobrassem a retirada do adversário da disputa. Dos 90 deputados da bancada do PMDB, 64 participaram da escolha anteontem e Chinaglia obteve 40 votos na urna e mais 6 declarações enviadas à reunião por escrito. Dos votantes, 11 apoiaram Aldo.

‘A pressão não é da campanha de Arlindo, mas do próprio governo e da coalizão. O governo vem insistindo na tese de que a coalizão tem de ter um candidato único. Está evidenciado (com o apoio do PMDB) que Arlindo, na coalizão, tem mais apoio que Aldo. Compete ao que tem menos apoio retirar a candidatura, a partir da tese de que haverá candidato único’, argumentou o deputado Odair Cunha (PT-MG).

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Para Aldo, a disputa ainda está no início, apesar de seus adversários terem comemorado a decisão do PMDB como fim de partida. ‘Respeito a decisão do PMDB, mas quero dizer aos meus adversários que o jogo está apenas no início. Não é sequer o primeiro gol da partida. Os adversários comemoraram o arremesso manual no início do jogo’, considerou. Aldo afirmou que continua com os mesmos votos que tinha na bancada peemedebista. Ele contabilizou ainda votos nas diversas bancadas, incluindo a oposição.

Aliado de Aldo, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI), segundo vice-presidente da Câmara, afirmou que a campanha de Chinaglia cometeu um erro estratégico ao insistir que a bancada do PMDB tomasse posição anteontem. Ele avaliou que a votação, que permitiu apoios com envio de fax, mostrou o limite do petista entre os peemedebistas. ‘O teto (de Chinaglia) no PMDB é em torno de 45 a 50 votos’, contabilizou. Para Nogueira, a insistência do grupo de Chinaglia em forçar uma candidatura única é o temor da disputa no voto.

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‘Eles sabem da dificuldade de eleger um do PT aqui’, afirmou. Nas últimas eleições, o PT foi derrotado quando houve disputa em plenário. Em 2003, João Paulo Cunha (PT-SP) foi eleito sem adversário. Em 2005, os candidatos do PT, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) e Virgílio Guimarães (MG), foram derrotados por Severino Cavalcanti (PP-PE). Recentemente, o candidato do PT ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, Paulo Delgado (PT-MG), perdeu a vaga para o pefelista Aroldo Cedraz (BA). ‘A candidatura de Arlindo é dos partidos da coalizão e não do PT’, contestou Cunha.