O PT abandonou a neutralidade em relação ao candidato da Frente Trabalhista a presidente, Ciro Gomes (PPS-PDT-PTB), e, a exemplo do PSDB, transformou-o em alvo. O argumento dos ataques são a suposta semelhança com o candidato a governador de Alagoas Fernando Collor de Mello (PRTB), afirmações de Ciro desmentidas e os aliados, entre eles, o candidato a senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).

O PT mantinha o comportamento para evitar desgastes políticos que pudessem afugentar possíveis aliados no segundo turno.

Mas, desde que a posição do candidato da Frente Trabalhista a presidente se consolidou em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos, a orientação petista mudou. A diferença entre os números de Ciro e do candidato da Coligação Lula Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT-PL-PC do B-PCB-PMN), nos levantamentos, que era de mais de 20 pontos há menos de dois meses, é hoje inferior a dez.

Primeiro, a Fundação Perseu Abramo, uma organização não-governamental (ONG) do PT, começou a fazer análises a respeito do perfil do candidato da Frente Trabalhista. Na edição de agosto do ?Periscópio?, a publicação eletrônica da ONG, a fundação faz um longo estudo a respeito de Ciro e conclui que a força dele, baseada numa postura oposicionista radical, pode ser também a ?perdição?, dado o número de aliados governistas.

Hoje, pela primeira vez, o ?Informes?, boletim informativo da bancada do PT na Câmara, atacou o candidato da Frente.  Intitulado ?Na mira, as mentiras e contradições de Ciro?, a publicação petista diz que a candidatura do ex-ministro da Fazenda tem sido caracterizada ?como um retrato do vazio?. Em seguida, são enumeradas aquelas que seriam os juízos falsos do candidato. Em destaque, o Prêmio do Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef) ao Ceará, que Ciro se preconizou de ter conseguido, sendo, depois, obrigado a admitir que não foi ele que o recebeu, mas o candidato a senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ex-governador e antecessor do candidato.