O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse que o PT receberá com "naturalidade" um eventual governo Geraldo Alckmin. A declaração de Tarso Genro foi uma resposta ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que levantou dúvidas, em entrevista à revista Época, se o desfecho de uma vitória tucana seria democrático. "Posso garantir que o PT receberia com toda naturalidade, embora nem o partido nem o governo trabalhem nisso", afirmou o ministro. "É compromisso dos partidos democráticos receberem o resultado das eleições como legítimo.

Tarso Genro disse que Fernando Henrique se equivoca ao avaliar ainda que uma lei garantindo a fidelidade partidária não vai resolver o problema da indiferença entre o eleito e o eleitor. "Não acredito que qualquer governo que venha assumir no ano que vem possa governar com tranqüilidade se pelo menos o instituto da fidelidade partidária não for instituído", afirmou o ministro. "O ex-presidente Fernando Henrique disse que não acha tão importante a fidelidade partidária. Acho isso um equívoco de fundo", completou. "Já é depor contra a reforma política.

Tarso Genro minimizou ainda a decisão do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil de rejeitar a proposta defendida pelo Planalto de convocar uma Assembléia Constituinte para mudar o modelo de sistema político. Genro observou que a OAB mantém o apoio à reforma política, objetivo da Constituinte proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O governo vai, assim que for chamado, colaborar e impulsionar esse movimento, porque a reforma não sairá se não for forte a demanda da sociedade", disse.

Genro afirmou que a proposta de Constituinte não está "sepultada", pois nem foi apresentada. Ele chegou a negar que o governo tenha sido autor da idéia, rejeitada agora pelo Conselho Federal da OAB. A proposta foi levantada por Lula numa reunião, na semana passada no Planalto, com um grupo de juristas. "Isso não foi tema da reunião. Tratou-se de uma discussão que surgiu no meio da reunião, e o presidente da República viu com simpatia a proposta", disse Genro. "Essa (a Constituinte) não é a questão fundamental", acrescentou. "O instrumento para fazer a reforma política é secundário.