A tropa de choque do governo na CPI dos Correios conseguiu derrubar, nesta quinta-feira, o pedido para quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto.

A vitória do governo foi apertada: foram 12 votos contra a quebra, dez a favor e uma abstenção do relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Há cerca de três semanas, Okamotto afirmou ter pago empréstimo de R$ 29,4 mil concedido pelo PT ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a quebra do sigilo, os integrantes de partidos de oposição na CPI dos Correios queriam saber se Okamatto falou a verdade sobre a dívida e a origem dos recursos para quitar o débito do presidente com o PT. O Palácio do Planalto se recusou a esclarecer de onde veio o dinheiro que quitou a dívida e, há cerca três semanas Okamotto assumiu ter pago o débito de Lula com o partido. A primeira parcela do empréstimo foi paga em dezembro de 2003.

Okamotto é contador pessoal de Lula, foi antecessor de Delúbio Soares na secretaria de finanças do PT e tesoureiro da primeira campanha à presidência do petista, em 1989. Esta é a segunda vez em uma semana que a tropa de choque do governo se mobiliza para evitar a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico do presidente do Sebrae.

Em sessão administrativa, a CPI dos Correios aprovou hoje, em votação simbólica, a convocação do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona. A convocação na CPI dos Correios foi aprovada às pressas depois que as CPIs do Mensalão e dos Bingos também resolveram chamar para depor o doleiro. Foi aprovada também a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico das empresas e pessoal do publicitário Duda Mendonça e de sua sócia Zilmar Fernandes.

Outra que sofrerá devassa em suas contas é Simone Vasconcellos, gerente financeira da SMP&B, agência do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o operador do ‘mensalão’.

Os integrantes da CPI aprovaram a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico da Athenas Trading, uma das empresas que teria abastecido a conta de Duda Mendonça, que recebeu R$ 10 milhões de Marcos Valério.

Também foi aprovada a quebra do sigilo da corretora Bônus Banval, usada por Marcos Valério para repassar recursos para o PT. A Comissão aprovou ainda a permissão para que a Polícia Federal peça à Interpol para rastrear os depósitos feitos na Dusseldorf, empresa offshore aberta por Duda Mendonça nas Bahamas. A conta da empresa é em agência do Banco de Boston em Miami.

Na sessão administrativa, a CPI também determinou a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico, nos últimos cinco anos, da Visanet. Em depoimento à Comissão na semana passada, o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato disse que os recursos usados pela instituição para patrocinar o show dos cantores Zezé de Camargo e Luciano saíram da Visanet.

Em 2004, a dupla sertaneja fez shows para arrecadar recursos para a compra de uma sede para o PT. A CPI aprovou também a devassa nas contas de Pizzolato e a quebra de seu sigilo telefônico.