O promotor do Ministério Público do estado do Pará Lauro Freitas Júnior disse não ter dúvidas de que o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e o pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, fizeram um consórcio para financiar o assassinato da missionária Dorothy Stang. Freitas Júnior acompanha as investigações sobre o assassinato, ocorrido no dia 12 de fevereiro em Anapu (PA).

Para o promotor, a tese de formação de consórcio se fortaleceu após a acareação entre os dois e o acusado de ser intermediário do crime, Amair Feijoli da Cunha, o Tato, realizada na última sexta-feira (8). "Para o Ministério Público, já está bem claro que os dois tiveram participação como mandantes do crime contra a irmã Dorothy, configurando, dessa forma, um consórcio", afirmou o promotor, em entrevista à Agência Brasil. Ambos os suspeitos já estão presos, assim como os pistoleiros Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista e o acusado de ser o intermediário do crime, Amair Feijoli da Cunha.

Segundo Lauro Freitas Júnior, Galvão e Moura teriam encomendado o assassinato da freira e iriam pagar R$ 50 mil aos pistoleiros. "O fato mais importante da acareação foi que o Tato confirmou o que já tinha dito em depoimento à Polícia Civil e à Polícia Federal, ou seja, o envolvimento de Vitalmiro Bastos de Moura como mandante do assassinato da irmã Dorothy. Outro fato importantíssimo também foi que, segundo o Tato, Bida deixou bem claro que o rateio seria feito com o Regivaldo Pereira Galvão", destacou.

De acordo com o promotor, Tato também revelou que, um mês antes do assassinato da freira, ouviu uma conversa entre os dois suspeitos de serem os mandantes do crime, na qual Galvão teria dito que eles só teriam paz em Anapu com o "fim da irmã Dorothy". "Essa é outra informação que dá mais veracidade às informações do Tato, em relação ao envolvimento do Regivaldo".

Além disso, Lauro Freitas Júnior destacou que, durante a acareação, surgiram elementos que reforçam o envolvimento de Vitalmiro Bastos de Moura no crime. Um deles é que a arma usada para matar a missionária teria sido fornecida aos pistoleiros pelo próprio Bida, um mês antes da execução. Segundo o promotor, outra informação relevante é que, de acordo com Tato, uma semana antes do crime, o fazendeiro contratara outro pistoleiro, conhecido como Saintclair, para matar a irmã Dorothy. "Só que, como a irmã Dorothy não se encontrava no município, esse pistoleiro se retirou da cidade e, a partir daí, foi que o Bida contratou o Tato para chegar aos dois executores, Rayfran e Clodoaldo", explicou. Freitas Júnior disse que esse pistoleiro seria de Marabá (PA) e ele que também está sendo investigado pela polícia.

O promotor disse ainda que, durante a acareação, Galvão negou as acusações e Bida permaneceu calado. "Porém, percebeu-se que Tato estava bastante seguro em suas informações, o que nos leva a crer que se confirma a participação de Vitalmiro e ainda se investiga com mais profundidade a participação de Regivaldo Galvão", avaliou o delegado da Polícia Civil Waldir Freire, que conduz as investigações sobre o caso.

No entendimento do delegado, apesar dos indícios, ainda não é possível afirmar que houve, de fato, formação de um consórcio para financiar a execução da freira. "Há indicativos desse consórcio, mas até o momento, não temos informações para dizer se esse consórcio se efetivou".