Um projeto que torna mais rígida a punição para violência contra a mulher está na fila de espera para votação na Câmara. Na semana passada, a bancada feminista fez uma reunião em que decidiu dar prioridade para aprovação do projeto com o objetivo de conseguir que a proposta vire lei até 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

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Apresentado pelo governo com base numa proposta elaborada por grupos de defesa da mulher, o projeto tenta combater um problema que especialistas dizem ser extremamente grave, mas cujas dimensões não podem ser ainda determinadas. Nem o Ministério da Justiça nem a Secretaria Especial dos Direitos da Mulher dispõem de números que indiquem quantas mulheres anualmente sofrem agressões domésticas. E quantas acabam morrendo.

O projeto, que recebeu o número 4.559/04 prevê, por exemplo, a ampliação da pena para o agressor de 2 para 3 anos de reclusão. Com a mudança, parlamentares querem que o processo passe a ser julgado na Justiça Criminal e não no juizado de conciliação, como ocorre atualmente. "Hoje, agressores são condenados a pagar cestas básicas ou a cumprir outras medidas que, de tão irrisórias, acabam sendo mais um fator de humilhação para a mulher", afirma Fátima Oliveira, da Rede Feminista de Saúde. A alteração traz a possibilidade de que autores de agressões contra a mulher possam ser condenados à reclusão. Penas de prestação de serviços até poderão ser aplicadas, mas como exceção, não como regra.

O projeto de lei prevê ainda uma série de medidas para proteger a mulher vítima de violência e políticas que tentem preservá-la de correr novos riscos. Servidoras públicas, por exemplo, que forem vítimas de agressão poderão pedir transferência de local de trabalho. A proposta também recomenda que crianças e adolescentes que convivam com a violência doméstica tenham direito à assistência especial. Fora isso, o projeto determina reforça a necessidade da criação de juizados especiais, onde tais crimes seriam julgados.

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"É extremamente comum vermos mulheres denunciarem várias vezes os agressores, sem que nada seja feito", afirma Fátima. "Chega uma hora, que elas acabam cansando." Fátima, que também é enfermeira, não hesita em dizer que o lar é o lugar mais comum a que mulheres são agredidas. "Desde o berço até a terceira idade" diz. Para ela, este é outro grande mérito do projeto, que prevê a criação de uma rede de proteção para mulher e também de atendimento para o homem agressor.

O projeto tem como relatora a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Ela foi indicada por integrantes feministas que, em 2002, se reuniram e formaram um Consórcio de ONGs para preparação da lei.

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