O Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI), da Secretaria de Estado da Saúde, divulgou nesta semana os primeiros resultados de uma pesquisa realizada sobre o comportamento da aranha-marrom. Em parceria com outras entidades, foi adaptada uma casa com todas as características típicas de uma residência comum. Neste local foram mantidas 100 aranhas-marrom, durante três meses, para que seus hábitos fossem acompanhados diariamente por câmeras espalhadas estrategicamente pelo imóvel.

?É um projeto pioneiro e que, certamente, trará inúmeros benefícios para a população, já que será possível passar informações de como se proteger e dos hábitos do animal para todos?, afirma o secretário da Saúde, Cláudio Xavier.

O biólogo do CPPI, Emanuel Marques, explica que entre as descobertas feitas com a pesquisa estão dois compostos que não têm interferência direta na saúde humana e podem servir como repelente para o animal. Outro ponto interessante, segundo o biólogo, foi o da comunicação das aranhas, por sons e substâncias químicas, sobretudo antes da cópula.

?Também testamos possíveis predadores naturais do animal, incluindo outras aranhas, vespas e, principalmente, a lagartixa de parede?, destaca Marques. Durante a pesquisa a lagartixa se mostrou como uma das principais predadoras da aranha-marrom, podendo comer até 12 animais desta espécie por dia. O uso de aspirador de pó, comum, também foi considerado excelente. Todas as aranhas marrons foram mortas quando aspiradas.

?Este projeto junta todas as ferramentas possíveis de prevenção que possam ser utilizados pela população?, afirma o pesquisador da Universidade Tuiti do Paraná, Eduardo Ramirez, que participou do projeto. Para o coordenador do projeto e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Domingos Fontana, \\\"por meio da observação do padrão de vida dos animais em vida livre são levantadas hipóteses a respeito da sua biologia e ecologia que poderiam estar relacionadas com o grande sucesso na ocupação do ambiente, principalmente pela espécie predominante em Curitiba?.

As casas adaptadas que simulavam uma residência foram cedidas pelo Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná, antigo Hospital São Roque. As residências eram utilizadas como moradia de portadores de hanseníase na década de 20. Após o término do projeto será destinada a um espaço social de Educação em Saúde, de animais peçonhentos.

O projeto foi realizado em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) e Pontifícia Universidade Católica Paraná (PUC). Contou ainda com a participação do Instituto Nacional de Biologia da Lubiânia da Eslovênia, Tokushima University do Japão, a Universidade Riverside da Califórnia e o Instituto de Química Orgânica da Universidade de Braunschweig, Alemanha.