O programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo mandato vai trocar metas numéricas por cinco "grandes compromissos": educação, desenvolvimento, inclusão social, democracia e soberania com integração sul-americana. Os algarismos que recheavam a plataforma de 2002 foram arquivados porque alguns deles, como a promessa de criar 10 milhões de empregos, acabaram se voltando contra Lula.
Após o escândalo dos sanguessugas e os ataques do PCC em São Paulo, petistas decidiram reforçar os capítulos referentes à saúde e à segurança pública. A decisão foi ratificada em reunião ontem, no comitê de Lula, com integrantes da comissão do programa de governo.
"É fundamental combinar programas sociais com estratégias de combate ao crime organizado", afirmou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). "A solução não pode ser apenas pela via do regime penal." Na outra ponta, o comando da campanha esforça-se para jogar o caso dos sanguessugas no colo dos tucanos. "É bom deixar claro que a máfia começou a agir em 2002, no governo FHC", disse Berzoini.
O PT dará preferência, em seu plano de governo, a indicadores que possam comparar quase quatro anos da gestão Lula com os oito de FHC. Na propaganda de TV, a partir do dia 15, o presidente-candidato dirá que, se reeleito, fará "mais e melhor" mas evitará a todo custo as promessas quantitativas.
O programa afirmará que um segundo mandato deve acelerar a tesourada na taxa de juros para permitir crescimento de longo prazo com distribuição de renda. Mas não vai pregar nenhuma guinada na economia.
Sob o discurso da continuidade, os verbos da reeleição são "aprofundar", "acelerar" e "ampliar". Nada de rupturas. Nesse cenário, o equilíbrio macroeconômico é apontado como pano de fundo do "superávit social".
Economia
A economia permeia praticamente todos os eixos da plataforma. O PT assume o compromisso de melhorar a qualidade do gasto público para evitar aumento de impostos. Promete investir na reforma tributária e na redução do déficit da Previdência.
"Mas, se tivesse que destacar uma só área de prioridade máxima, para um próximo governo, eu citaria a educação", anunciou Lula na convenção do PT, em 24 de junho. Seu programa de governo propõe melhorar a qualidade da educação básica, ampliar o acesso ao ensino médio e aumentar vagas públicas na universidade.
No capítulo das relações internacionais, a América do Sul continuará sendo o eixo central da política externa.