Brasília – Depois de 42 dias de greve, os professores de 59 instituições federais de ensino superior e 35 universidades esperam que o Ministério da Educação apresente uma proposta que contemple as reivindicações da categoria na nova rodada de negociações, prevista para o próximo dia 19.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Paulo Rizzo, a categoria reivindica 18% de reajuste salarial neste ano e incorporação das gratificações, além de abertura de concurso e contratação de professores.

"Nós tivemos uma reunião com os representantes do Ministério da Educação no dia 7 de outubro e agora os professores estão fazendo assembléias, de hoje até terça-feira, dia 19, para analisar a proposta do governo e o que proporemos como alternativa a ela" explicou Rizzo. Segundo ele, a paralisação mobiliza 50% dos professores, o que representa cerca de 40 mil profissionais de braços cruzados.

Para o vice-presidente da Andes, o governo fez uma proposta que ainda é insuficiente e que não atende ao conjunto dos professores. "Essa proposta ainda dá um tratamento diferenciado aos professores das universidades federais", disse.

Rizzo destacou que um dos problemas que os professores universitários enfrentam é de ter sua remuneração composta por salário e gratificações. Para ele, uma das reivindicações da categoria é a equiparação de algumas gratificações "para que haja paridade entre funcionários da ativa e aposentados e nisso o governo vem resistindo".

Por outro lado, salienta Rizzo, o governo oferece aumento de 50% dos incentivos por titulação. Esses incentivos beneficiam os profissionais com mestrado, doutorado e especialização, com impacto no orçamento do MEC de aproximadamente R$ 400 milhões. "Essa é uma coisa que nós não reivindicamos e que não atende aos interesses da categoria", sustenta. Segundo ele, a expectativa da categoria é de que haja negociação efetiva na próxima semana "para que a greve possa se encerrar com o atendimento das reivindicações".

De acordo com nota divulgada pelo Ministério da Educação na semana passada, atualmente, com o reajuste de titulação, a recomposição média dos salários deverá ser de 9,47%. O sub-secretário de Assuntos Administrativos, Sílvio Petrus, deverá se pronunciar no final da tarde de hoje sobre o andamento das negociações com os professores em greve.