São Paulo – Os professores da rede federal de ensino superior, que estão em greve há 47 dias, discutem, hoje e amanhã, em assembléias, uma nova contraproposta de reajuste salarial para ser apresentada na próxima rodada de negociações com o governo, marcada para quarta-feira (19). Na última sexta-feira (14), o Ministério da Educação anunciou um reajuste de 25%, que será possível com a liberação de R$ 500 milhões, autorizada pelo presidente Luiz Ignácio Lula da Silva.

O vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), Paulo Rizzo, alertou, no entanto, que o percentual de aumento não é linear, nem será concedido de imediato. "Só deve ocorrer em alguns casos isolados e atinge apenas os profissionais que tiverem evolução na carreira", disse Rizzo. Mesmo assim, prevê teto máximo de 20% para os que conseguiram mudar de uma classe para outra.

Ele explicou que existem quatro classes: professor auxiliar (graduado); professor assistente (com título de mestrado); professor adjunto (com título de doutorado) e as titulações por concurso. "O governo criou uma boa perspectiva, que foi a chance de uma classe intermediária, a do associado (entre o adjunto e titular), mas ainda assim a previsão é de reajuste progressivo de até 12%", acrescentou Rizzo.

Segundo ele, a Andes defende aumento para todos os professores na faixa de 18% para incorporação imediata na folha de pagamento. "Esperamos melhorar a proposta na próxima mesa de negociações", disse o líder sindical.

Os representantes dos grevistas deverão ser recebidos em Brasília pelo secretário adjunto do Ministério da Educação, Ronaldo Teixeira.