Crime no Paraná

Professora é investigada suspeita de dar calmante a bebês em creche no Paraná

Imagem mostra uma pessoa colocando xarope em uma colher.
Segundo a Polícia, uma das gravações mostra a professora colocando um líquido na boca de uma menina com o auxílio de uma colher. Foto: Depositphotos.

Uma professora da rede municipal de Arapongas, no Norte do Paraná, está sendo investigada por suspeita de administrar um medicamento controlado a bebês de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) para fazê-los dormir. A servidora, que é concursada e que não teve o nome revelado, foi afastada preventivamente das funções enquanto a Polícia Civil apura o caso. A principal suspeita é de que a substância utilizada seja clonazepam, conhecido comercialmente como Rivotril.

A denúncia foi apresentada na quarta-feira (28), depois que a direção da unidade e outra professora perceberam comportamentos considerados incomuns na educadora e alterações nas crianças. Imagens de câmeras de segurança passaram a integrar a investigação.

De acordo com a Polícia Civil, uma das gravações mostra a professora colocando um líquido na boca de uma menina com o auxílio de uma colher. A suspeita de que a substância seja clonazepam surgiu após a identificação do medicamento na bolsa da servidora. Segundo a delegada responsável pela investigação, era o único remédio encontrado em apresentação líquida.

Apesar dos indícios, ainda não há confirmação de que o medicamento tenha sido administrado às crianças.

Polícia investiga suspeitas de maus-tratos e fornecimento de drogas

Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que instaurou inquérito para investigar os crimes de fornecimento de drogas e maus-tratos qualificados contra menores de 14 anos. Todas as crianças foram submetidas a exames toxicológicos, e as mães dos bebês, assim como os funcionários da unidade, já foram ouvidos pela polícia. As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias do caso e identificar possíveis responsabilidades.

Oito bebês frequentavam a turma

A sala em que a professora trabalhava atendia oito crianças, com idades entre seis meses e um ano e 11 meses. Os investigadores procuram determinar se outras crianças receberam a substância e por quanto tempo a suposta prática poderia ter ocorrido.

Relatos de familiares sobre mudanças no comportamento e nos hábitos de sono dos bebês nos últimos meses também deverão ser considerados durante a apuração.

Após a denúncia, os responsáveis foram comunicados e as crianças encaminhadas para avaliação médica. Segundo a Prefeitura de Arapongas, todas passam bem.

O que é o clonazepam e para o que serve

O clonazepam é um medicamento de uso controlado que atua no sistema nervoso central e pode provocar sonolência e sedação. Sua administração sem indicação e acompanhamento médico representa riscos, especialmente para bebês e crianças pequenas.

Professora nega acusação

Além da investigação policial, a Prefeitura de Arapongas instaurou um procedimento administrativo para apurar a conduta da servidora. Dependendo das conclusões, o processo poderá resultar em demissão.

O afastamento foi adotado de maneira preventiva, enquanto são analisadas as circunstâncias da denúncia. O Conselho Tutelar também foi acionado para acompanhar a situação.

A professora negou as acusações em sua manifestação inicial. A Polícia Civil continua reunindo elementos para esclarecer o conteúdo do líquido registrado nas imagens, identificar possíveis vítimas e verificar se houve outros episódios.

Até o momento, não foram divulgados resultados dos exames toxicológicos. A suspeita de administração do medicamento ainda depende de confirmação pela investigação.

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