A professora de Economia da Universidade Federal Fluminense Hildete Pereira de Melo disse que o IBGE precisa calcular quanto o "trabalho invisível" (de afazeres domésticos) representa para o PIB. Esse trabalho, segundo ela, é feito por mulheres que permanecem em casa e não têm a sua contribuição reconhecida pela sociedade.

Hildete relatou que, ao fazer esse cálculo, o aumento do PIB brasileiro chegaria a 13% em 2004. Ela lembrou que a Organização das Nações Unidas (ONU) não admite o uso do critério, apesar da reivindicação de mulheres de todo o mundo.

A professora, que participou do painel "Modelo econômico e direitos humanos", defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 385/01, da deputada Luci Choinacki (PT-SC), que prevê a concessão de um salário mínimo às mulheres acima de 60 anos de idade que vivem em famílias com renda per capita inferior a dois salários mínimos. "Entre 60 e 65 anos, as mulheres que viveram para cuidar dos filhos e dos maridos ficam na dependência de um familiar que a sustente", disse.

Política econômica

Hildete Pereira de Melo defendeu a elaboração de uma lei para definir o conceito de independência do Banco Central, pois entende que o banco "já faz o que quer". Hildete assinalou que a política econômica leva a perdas e ganhos, e quem vem perdendo sempre são os trabalhadores.

A professora também comparou a cobertura da imprensa sobre as políticas social e econômica. Ela avaliou que a imprensa monitora detalhadamente o Bolsa Família, mas não faz o mesmo em relação à remessa de lucros para o exterior e ao pagamento de juros da dívida externa.