O governador Roberto Requião participou da cerimônia de formatura de dez mil alunos da 4ª série, no Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd). As crianças se reuniram em frente ao Palácio Iguaçu, nesta sexta-feira. Requião elogiou o trabalho realizado pela secretaria de Segurança Pública e a dedicação e esforço dos policiais militares que atuam.

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?Esse é um trabalho bonito da Polícia Militar do Paraná de prevenção e de informação sobre as drogas e os males que elas causam. Esse trabalho está criando nas crianças a consciência de aversão às drogas, e também a consciência amplamente favorável de uma vida saudável, com mais dedicação aos esportes e à boa educação?, comentou.

Os alunos estudam em escolas públicas estaduais e municipais e particulares de Curitiba e Região Metropolitana e se comprometeram a não se envolver com drogas ou qualquer outra situação de violência. Esta é a filosofia do Proerd, o maior programa de prevenção primária desenvolvido em todo o mundo que, no Brasil, é mantido pela Polícia Militar. Com a formação desta turma, a Polícia Militar do Paraná já ensinou mais de 500 mil crianças desde o ano de 2000 a dizer não às drogas.

Para o comandante da Polícia Militar, coronel David Antônio Pancotti, o programa superou as expectativas. ?Principalmente em relação à capacitação dos nossos policiais, que estão se especializando não só na educação de alunos da 4.ª série, mas também na de 5.ª e 6.ª séries e também na formação de pais na luta contra as drogas.

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Já temos 174 municípios do estado treinando as crianças e hoje alcançamos o número surpreendente de meio milhão de crianças já educadas para enfrentar o problema?, relatou o coronel.

Receptividade

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As crianças cantaram o hino nacional, acompanharam com palmas a banda da Polícia Militar e vibraram quando o leão mascote do Proerd passou acenando dentro da viatura dos policiais. Para os estudantes, a opinião sobre o curso é unânime. Todos respeitam e gostam da polícia e já sabem o que fazer quando alguém oferecer drogas: dizer não.

Para a aluna Larissa da Silva Pinheiro, 10 anos, do Colégio Estadual Dezenove de Dezembro, além das noções de cidadania, aprendeu a gostar dos policiais. ?Antes de conhecer os policiais, achava eles maus. Hoje, acho eles muito legais porque explicam tudo direitinho?, disse.

?Aprendi o que é cigarro, o que é maconha ou cocaína e se alguém me oferecer estas drogas eu já sei que não aceito?, disse o aluno Allan Marcelo Costa de Lima, 10, da escola Estadual Ângelo Trevisan. ?Não se deve usar drogas nem cigarro. Minha tia fuma e eu já falei para ela que ela deve parar, porque é prejudicial à saúde?, lembrou a estudante da Escola Estadual Professora Maria Nicolas, Tara Santigo de Assis, de 9 anos.

Maria Sueli de Oliveira, 34, mãe de um menino de dez anos, estudante da rede estadual de ensino, diz que as aulas mudaram o comportamento de seu filho. ?Percebi uma grande mudança. Além de aprender a dizer não às drogas, ele passou a ter mais respeito com as pessoas e aprendeu a conviver melhor em sociedade?, relatou ela.

Programa

Os alunos que estão se formando no Proerd são estudantes das 4.ª séries do ensino fundamental e têm entre 9 e 11 anos de idade. Durante um semestre letivo estas crianças tiveram contato com um policial militar fardado que, semanalmente, levava até elas as lições do programa. Foram, ao todo, 17 encontros.

Nestas reuniões, na sala de aula, os instrutores especialmente preparados para lidar com este público, propunham a todos um trabalho integrado entre a escola, a família e a Polícia Militar, proporcionando, no aprendizado cooperativo, conhecimento sobre quais as conseqüências do envolvimento com drogas e outras situações de violência.

?O trabalho se estende em uma grande parceria com a comunidade. Nós começamos com a conquista do coração da criança, mostrando que os policiais estão interessados em proteger os alunos?, disse a coordenadora do Proerd no Paraná, tenente-coronel Mirian.

Além de falar do mal que as drogas causam, os instrutores ainda levaram até estas crianças noções de cidadania, e ensinaram também como fortalecer a auto-estima, como tomar decisões, bem como aspectos gerais que contribuem para a formação do caráter do aluno que está exatamente na transição entre infância e adolescência.

A coordenação do Proerd considera que os meninos e meninas que absorvem os ensinamentos do programa serão multiplicadores de ações preventivas primárias sobre drogas e educação para a paz. O Proerd foi idealizado nos Estados Unidos em 1983 e chegou ao Brasil em 1992 através da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Prevenção

Os números demonstram a eficiência do programa. Conforme dados do Grupo Interdisciplinar de Estudos do Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo, crianças e adolescentes são mais propensos a serem aliciados por traficantes, uma vez que são menos preparados para resistir aos apelos e incentivos que são dados àqueles que experimentam esse consumo clandestino.

O Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Criança e da Adolescência da Universidade Federal do Paraná (UFPR) pesquisou alunos de sétima e oitava séries que tiveram as lições do Proerd na quarta-série e constatou que menos de 1% dos alunos entrevistados teve contato com drogas ilícitas, álcool ou cigarro.

Atualmente o Proerd é desenvolvido em escolas de 164 municípios paranaenses. São149 instrutores e mentores que levam até os estudantes as lições do programa. São atendidas, no total, 805 escolas. No segundo semestre de 2000, quando o programa teve início no Paraná, eram atendidos alunos de apenas 41 escolas. Eram somente 11 os municípios atendidos e 28 os instrutores capacitados a passar os ensinamentos.

O Proerd está presente em 58 países nos cinco continentes. Até o momento, cerca de 41 milhões de crianças já foram beneficiadas neste esforço cooperativo entre a escola, a família e a Polícia Militar que integra a filosofia de policiamento comunitário.