Produtores rurais de vários Estados realizam manifestações amanhã (31) para pedir a renegociação das dívidas contraídas com a última safra, que passam de R$ 20 bilhões, e garantias para o plantio da safra 2005/06. Estão previstos bloqueios de rodovias. Em São Paulo, as manifestações devem se concentrar nas regiões de Ribeirão Preto, Presidente Prudente e Votuporanga.

A rodovia Anhangüera será bloqueada parcialmente no km 420, próximo de Ribeirão Preto. Os motoristas serão obrigados a passar pelo local em velocidade reduzida. Eles receberão um manifesto entitulado "Você já se alimentou hoje? Agradeça ao Produtor Rural", no qual os produtores expõem as razões do protesto. Estão previstas manifestações no Mato Grosso, região de Rondonópolis, e Mato Grosso do Sul, região de Dourados. Os produtores gaúchos também devem aderir.

O protesto foi decidido durante reunião das federações de agricultura e pecuária, realizada no último dia 17, em Brasília. O encontro coincidiu com a chegada da marcha dos sem-terra à capital federal para pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre outras coisas, a elevação nos índices de produtividade para fins de desapropriação visando a reforma agrária. O presidente atendeu as principais reivindicações dos sem-terra.

Segundo documento preparado pelos organizadores do protesto, o produtor de soja está vendendo o produto com um prejuízo de 20%. O mesmo percentual de prejuízo atinge produtores de algodão, laranja, arroz e trigo, além da pecuária de leite e corte. Os agricultores culpam a seca que assolou grande parte do País, e o governo por não ter regulamentado o seguro rural para o setor. Culpam ainda a política econômica de juros altos e remuneração sem concorrência do capital especulativo, "que inviabilizam a produção brasileira". Citam, ainda, a perda do valor do dólar frente ao real, que possibilita a entrada de produtos agrícolas estrangeiros, como o arroz, milho, trigo, e diminuição dos preços internos.

Lembram que, em 2004, a agricultura gerou um excedente de US$ 40 bilhões na balança comercial, que representou 34% das exportações, mas o governo não investiu nada no setor com esse superávit. Segundo o documento, o governo tem uma garantia mínima de preços mínimos, que seria de regulamentação de estoques estratégicos e garantia de renda, mas nunca cumpriu essa norma. É citado o preço mínimo do algodão, de R$ 44,60 a arroba, mas os produtores são obrigados a vender a R$ 33,00, o preço do mercado. "Queremos uma prorrogação dos débitos com as instituições, dentro da capacidade de pagamento do produtor, para não inviabilizar os próximos plantios. Não queremos perdão de dívidas, mas pagar dentro da nossa capacidade de pagamento", diz a nota. Os produtores ameaçam reduzir as áreas de plantio e produção de carne se as reivindicações não forem atendidas.