Marco Antonio: região tem as condições ideais de clima para o plantio de feijão.

Uma manhã inteira dedicada a debates teóricos de mercado, cultivares, manejo do solo, fertilização do feijoeiro, manejo de pragas e doenças. No período da tarde, visita aos campos de cultivares de feijão e na vitrine de espécies de adubos verdes, além do debate sobre rotação de culturas para melhoria das condições produtivas da pequena propriedade. Este é um resumo da reunião técnica sobre cultura de feijão, promovida pela Emater e realizada pelo Iapar, esta semana, envolvendo agricultores familiares de assentamentos agrários e de comunidades cafeeiras que fazem cultivo intercalar no café, dos municípios de Londrina e Tamarana.

Alcides de Jesus dos Anjos, 59 anos, proprietário do Sítio Alto Alegre, de cinco alqueires, no Assentamento Água da Prata, em Tamarana, cultiva feijão variedade carioca há sete anos, tanto no período das águas como da seca. Na última safra das águas ele plantou dois alqueires, colheu 140 sacas com o custo de produção em torno de 40 sacas, comercializando ao preço de R$ 85,00 a saca. Considera que a cultura é uma grande fonte de renda para o pequeno produtor e sobre o evento afirma que a oportunidade de debater com os técnicos e pesquisadores é importante para melhorar e continuar fazendo a lavoura de forma certa. ?Bom, porque vou aproveitar bem as idéias e os conhecimentos dessa visita?, assegura Alcides.

O engenheiro Marco Antonio Lollato, pesquisador da área Sementes e Sistemas de Produção do Iapar, afirma com conhecimento de causa própria que Tamarana tem as condições ideais de clima para a cultura do feijão da safra e da safrinha. Isto porque planta feijão desde 1976 e na última safra fez plantio da variedade carioca Iapar 81 em 5 dos 10 alqueires de sua propriedade, Sítio Santo Expedito, na comunidade Barreirão.

Lollato enumera ainda algumas recomendações básicas para os agricultores familiares que querem tirar renda da atividade, obtendo a produtividade possível de 90 sacas/alqueire e potencial fácil de chegar a 130 sacas, com um limite de custo de até 26 sacas por alqueire.

Segundo ele, começa pela catação de sementes, retirando os grãos manchados e defeituosos. Passa pela limpeza das doenças da semente com tratamento de fungicida. Escolha da melhor época de plantio, sendo para a safra da seca de 20 de dezembro a 30 de janeiro e da safrinha das águas, de 1.º a 30 de setembro. Definir a estande com população correta de 11 a 12 plantas por metro linear e espaçamento de 40/50cm entrelinhas. Ter cuidado com pragas e doenças das folhas e quando necessário fazer o controle. Controlar o mato e colher no momento mais adequado. Quanto a variedade, o pesquisador destaca que todas as disponíveis podem ser utilizadas, mas recomenda para a carioca o Iapar 81, Iapar 72 e o IPR Juriti e para as variedades de feijão preto o IPR Uirapuru, IPR Chopim e o IPR Graúna.

O trabalho com esses produtores de feijão presentes na reunião, apoiada pelo convênio ATES/Incra, tem processo de continuidade, afirma o engenheiro-agrônomo Ildefonso José Haas da unidade municipal da Emater de Londrina e coordenador do evento. Serão implantadas unidades de observação das variedades de feijão, campos de multiplicação de sementes e unidades de acompanhamento tecnológico. ?A idéia é que o feijão proporcione mais renda aos agricultores familiares dos dois municípios e que entre nas áreas de lavouras das pequenas propriedades substituindo cultivos de soja e milho?, assegura Haas.