A exemplo do que o governo anunciou para empresas exportadoras, o setor rural vai cobrar medidas compensatórias para a queda do dólar. O principal argumento é que os agricultores compraram os insumos para plantar a safra com o dólar valendo R$ 2,30 e agora no momento da comercialização, a moeda americana já está abaixo de R$ 1,95.
"O problema não é o dólar a R$ 3,00 ou a R$ 1,00. O problema são as oscilações do câmbio entre o momento de plantio e de venda, que são muito grandes há três anos consecutivos e estão reduzindo cada vez mais a renda dos agricultores", afirma Rui Prado, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja).
Junto com a proposta de compensação cambial, os produtores vão entregar para o governo um pedido de compensação para o óleo diesel. A idéia é que o haja uma equalização nos valores do combustível, de tal forma que o preço do litoral seja o mesmo praticado para toda a agricultura, especialmente na Região Centro-Oeste.
As idéias dos produtores estarão no pacote de medidas que a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vai apresentar ao governo, dentro de 45 dias, como mecanismos de garantia de renda. Além disso, o projeto prevê a prorrogação das dívidas de 2005, 2006 e 2007, que chegam a R$ 100 bilhões. As dívidas foram contraídas com a compra de máquinas, quando os preços estavam sobrevalorizados e as taxas de juros elevadas.


