Produção industrial cresceu 5,2% em março

Rio – A produção industrial brasileira cresceu 5 2% em março em relação ao mesmo mês do ano passado na série com ajuste sazonal, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com fevereiro de 2006, houve queda de 0,3%. O IBGE não revisou o dado anterior da produção, de fevereiro sobre janeiro, que manteve-se em alta de 1,2%. Houve apenas uma pequena revisão no dado de janeiro ante dezembro, de -1,3% para -1,4%. O dado de dezembro também não foi revisado.

Com o resultado de março, a produção industrial cresceu 1,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre do ano passado, "confirmando o movimento de recuperação iniciado no fim de 2005", argumentou o IBGE. Na comparação com o primeiro trimestre de 2005, houve aumento de 4,6% no primeiro trimestre deste ano, o 10ºresultado trimestral positivo consecutivo nessa base de comparação. Em 12 meses, a produção cresceu 3,3%. O índice de média móvel trimestral de março registrou variação de -0,2% no trimestre encerrado em março ante o terminado em fevereiro.

Os técnicos do IBGE comentam no documento de divulgação da pesquisa que a média móvel "interrompe uma seqüência de três meses com crescimento, mas sinaliza até aqui uma sustentação do patamar de produção".

A queda de -0,3% na produção industrial em março ante fevereiro "pode ser lida como estabilidade", segundo avalia Silvio Sales, chefe de coordenação da indústria do IBGE. Para ele, "a queda de 0,3% está em quadro de estabilidade e não mostra o início de queda contínua da produção industrial, já que os indicadores em geral apontam para evolução positiva da atividade econômica.

Segundo Sales, "olhando os indicadores para além da produção industrial, não há no cenário mais imediato risco de redução contínua da produção". Ele citou que não há perspectiva de pressão inflacionária e que haverá um efeito positivo do aumento do salário mínimo sobre os bens de consumo. Para ele, não há sinais de aumento da inadimplência. "Diante disso, com esses elementos, não há como imaginar esses -0,3% como início de uma trajetória de queda", afirmou.

Sales disse que os dados de produção industrial de março, comparados aos dados de vendas industriais do mês – divulgados ontem (4) pela CNI – deixam a percepção de que "a indústria está cada vez mais ajustada às encomendas, a questão do estoque é cada vez mais fina". Segundo ele, quando se cruza "os dados da produção com as informações do varejo e das vendas industriais, as informações estão cada vez mais próximas e mostram que a indústria se ajusta cada vez mais às encomendas".

Segundo Sales, a velocidade do crescimento das vendas industriais no primeiro trimestre (2,3%) superou o da produção (1,2%) na comparação com trimestre imediatamente anterior "e, se a velocidade de vendas supera a da produção isso pode, mais a frente, abrir espaço para aumento da produção".

Trimestre

Os dados do primeiro trimestre para a produção de insumos para construção civil (6,9%) e bens de capital (9,2%), na comparação com igual trimestre do ano passado, antecipam um resultado positivo para os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) no PIB do primeiro trimestre, avaliou Sales.

Ele analisou também, especificamente, os dados de bens de capital e disse que o crescimento na produção dessa categoria acelerou no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o resultado apresentado no último trimestre do ano passado. Os dados divulgados hoje pelo IBGE mostram que essa categoria cresceu 9,2% no primeiro trimestre de 2006 ante igual período do ano passado, ante uma expansão de 4,2% registrada no último trimestre de 2005 nessa base de comparação.

O pior desempenho no primeiro trimestre ante igual período de 2005, dentro da categoria de bens de capital, continuou com bens de capital para agricultura, que registrou queda de 17,5%. Foi apurada redução também na produção de bens de capital para transporte (-1,3%). Ainda no primeiro trimestre deste ano, foram registrados aumentos em bens de capital para indústria (0,4%), para energia (45,2%), para construção (21,4%) e para uso misto (17,3%) e inclui produtos como informática, telefonia e equipamentos para refrigeração industrial.

Sales sublinhou que o crescimento abaixo da média de bens de capital para a própria indústria, que sinaliza investimentos em ampliação de capacidade do setor, pode estar inibido pelo elevado crescimento na importação desses equipamentos, que estaria compensando a reduzida produção nacional.

Atividades 

A queda de 0,3% na produção industrial em março ante fevereiro atingiu 17 das 23 atividades pesquisadas pelo IBGE na série com ajuste sazonal. As quedas mais significativas ocorreram nos ramos de farmacêutica (-14,3%), bebidas (-5,5%), veículos automotores (-1,7%) e equipamentos de transporte (-8 2%).Sales, do IBGE, sublinhou que os quatro ramos vinham com crescimentos elevados em fevereiro. Na comparação com março de 2005, o crescimento de 5,2% na produção – o sexto resultado positivo nessa base de comparação – refletiu aumento em 21 dos 27 ramos pesquisados, com destaque para material eletrônico e equipamentos de comunicações (24,0%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (70,0%) e indústria extrativa (13 0%).

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