Produção de energia não vai competir com alimentos

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luís Carlos Guedes Pinto, informou que a Embrapa está desenvolvendo pesquisas com 17 tipos de oleaginosas que poderão ser utilizadas para o programa brasileiro de agronergia. ?O nosso potencial é enorme com a soja, o algodão, a mamona, o dendê, o pinhão-manso, por exemplo. As pesquisas da Embrapa estão sendo realizadas para obtenção de produtos com melhor desempenho tanto no rendimento dos motores quanto do ponto de vista econômico, social e ambiental?, disse Guedes ao encerrar a Feira Internacional de Agroenergia e Biocombustíveis (Enerbio/2006), realizada no Blue Tree Park Hotel, em Brasília, nesta semana.

O ministro ressaltou em sua palestra que não há conflito entre o avanço da agroenergia e a produção de alimentos no Brasil. ?Para aumentar a produção de etanol e biodiesel não haverá necessidade de aumentar muito a área plantada com cana-de-açúcar ou oleaginosas?, destacou.

O ministro disse ainda que tanto o Ministério da Agricultura quanto o Ministério do Meio Ambiente estão preocupados em aumentar a produção de alimentos e a oferta de energia renovável sem utilizar as reservas ambientais do território nacional. ?Há uma política clara do governo federal neste sentido?. Guedes reafirmou que o Brasil é o País que mais preserva o meio ambiente no mundo, pois conserva 69,5% das suas florestas originais.

Segundo o ministro, o Brasil precisa recolocar sua posição no mercado internacional e não aceitar o conceito imposto de que o País está destruindo o meio ambiente. ?Vou repetir pela 15.ª vez que não precisamos derrubar uma única árvore para aumentar a produção agropecuária no Brasil?, assinalou, lembrando que há no País 90 milhões de hectares agricultáveis e 55 milhões/ha protegidos do total de 851 milhões/ha do território brasileiro. A floresta amazônia envolve uma área de 360 milhões/ha.

Guedes lembrou as ações realizadas pelo governo federal para desenvolver o setor da agroenergia como a criação do Centro Nacional de Pesquisa em Agronergia da Embrapa e do Pólo Nacional da Agroenergia em Piracicaba/SP. O ministro pontuou ainda os principais desafios para o sucesso da agroenergia no Brasil, entre os quais, compatibilizar agricultura alimentar, agricultura energética e respeito ao meio ambiente. ?Esta é uma grande preocupação do governo.?

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