Numa aparente mudança de postura, o presidente da Síria, Bashar Assad, concordou, em princípio, com a presença de forças européias na fronteira entre a Síria e o Líbano para ajudar a conter o contrabando de armas para o Hezbollah, segundo o primeiro-ministro italiano Romano Prodi.
Assad havia dito no mês passado que ele consideraria o deslocamento de tropas internacionais para a fronteira sírio-libanesa como "um ato hostil" à Síria. O país, assim como o Irã, é um dos principais aliados dos militantes do Hezbollah que operam no sul do Líbano. Segundo autoridades israelenses, o grupo guerrilheiro recebe armas de ambos os países.
Na sexta-feira, Israel levantou o cerco marítimo que mantinha sobre o Líbano, mais de três semanas depois de entrar em vigor um cessar-fogo entre os israelenses e o Hezbollah.
Prodi disse que estão sendo discutidos os detalhes de um acordo que será apresentado durante reunião do comitê de Assuntos Exteriores da União Européia, quinta-feira, em Bruxelas. Disse ainda ter conversado várias vezes com Assad nos últimos dias.
"Lembrei ao presidente Assad que a União Européia tem uma significativa experiência em programas de treinamento para guardas de fronteira, e que a idéia de missão de apoio da UE seria um excelente sinal de cooperação entre Síria e Europa," disse Prodi, em comunicado.
Prodi afirmou também ter discutido a proposta com o chefe de política exterior da UE, Javier Solana, e com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Segundo ele, "os principais parceiros europeus" da Itália receberam o plano "com grande interesse.
A resolução da ONU que estabeleceu o cessar-fogo no Líbano pede o eventual desarmamento dos guerrilheiros xiitas do Hezbollah, mas a força de paz da ONU presente naquele país não tem autorização para procurar e apreender armas.


