Problemas com arbitragem roubam cena no Paulista

Encerrada a quinta rodada do Campeonato Paulista, os destaques não são gols, dribles, desarmes nem defesas, mas as polêmicas arbitragens. A sucessão de lances duvidosos, que se acumulam jogo após jogo, teve seu ápice na quarta-feira, com a expulsão de Marcelo Mattos pelo árbitro Otávio Corrêa, na derrota do Corinthians para o São Caetano, e com o juiz Paulo Roberto Ferreira, que apitou o início da partida entre Rio Claro e Barueri sem que houvesse uma bola em campo

Na semana passada, o "destaque" foi Cleber Wellington Abade, que ergueu a mão para encerrar o jogo entre Paulista e São Paulo, em Jundiaí, no momento em que Gláucio chutava para marcar o gol de empate em 2 a 2 – disse depois que teve "reflexo" para dar mais um minuto e validar o tento.

Tudo normal para o coronel Marcos Marinho, presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF). "Os árbitros de São Paulo estão bem preparados física, técnica, teórica e psicologicamente", disse Marinho. "Fizemos uma pré-temporada excelente, trouxemos até um instrutor da Fifa. Todos sabem o que fazer em campo. E sabem que, se errarem, serão punidos.

Marinho afirmou ainda que Otávio Corrêa agiu corretamente no jogo do Corinthians, inclusive ao expulsar depois o meia Roger e o zagueiro Betão, por jogo violento. Corrêa também se avaliou bem. "Não tive influência no resultado. O Marcelo Mattos deu um bico na bola após o apito. E já tinha cartão amarelo. Fiz um bom trabalho na partida. Apitei em cima das 17 regras", disse

Até agora, o único penalizado foi Alex Sander da Rosa Lefeu, árbitro de Juventus 1 x 4 Corinthians, suspenso por 15 dias dos sorteios que definem as escalas por "deficiência técnica"

Na avaliação de Arnaldo Cézar Coelho, ex-árbitro da Fifa com a final da Copa do Mundo de 1982 no currículo, e hoje comentarista da Globo, a FPF está "pagando o preço" por apostar em árbitros mais novos. "É natural que haja mais erros quando acontece esse processo de renovação", diz Arnaldo. "Mas acho que está certo. É nos estaduais que os árbitros precisam ser testados. Se forem bons, poderão apitar no Brasileiro.

Outro ex-árbitro da Fifa, Renato Marsiglia, concorda. "A renovação e os erros decorrente dela são inevitáveis. Um árbitro precisa de pelo menos cinco a seis anos para ter a experiência necessária para apitar grandes partidas", disse Marsiglia. "Mas se não colocar os novos árbitros para apitar agora, quem vai apitar quando a atual geração parar?

Além de Márcio Resende de Freitas, que se aposentou no final de 2005, e Edilson Pereira de Carvalho, afastado por manipulação de resultados, outros árbitros estão próximos de parar, como Carlos Eugênio Simon, Wagner Tardelli e Wilson de Souza Mendonça, todos com mais de 41 anos – a idade máxima para ser árbitro Fifa é 45 anos

Segundo Marcos Marinho, a média de idade dos árbitros deste campeonato está em torno dos 33 anos. Dos 35 árbitros "categoria ouro" da FPF, três deles fazem parte do quadro da Fifa: Paulo Cesar de Oliveira, de 33 anos, Sálvio Spínola, de 38, e Wilson Luiz Seneme, de 36. "Tentamos sim fazer essa renovação", diz Marinho. "Mas não acho que a idade seja tão relevante. Um árbitro novo pode apitar bem, assim como um mais experiente pode errar.

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