Volta à baila a discussão sobre os gastos com aposentadorias no Brasil. A última contribuição vem do Instituto de Pesquisas em Economia Aplicada (Ipea), instituição hoje subordinada funcionalmente à Secretaria de Assuntos de Longo Prazo.
Conforme um estudo realizado pela entidade, as despesas anuais com aposentadorias e pensões consomem 11,7% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo o percentual dividido em sete pontos para o INSS e os quase cinco restantes para a área pública (União, estados e municípios).
Em comparação com os dados de 49 países, o Brasil ocupa a primeira posição entre os maiores pagadores de benefícios adquiridos com a aposentadoria. Nosso País gasta com a Previdência um volume superior às despesas feitas por economias industrializadas do porte da Alemanha, Itália e Suécia, entre outras.
Para o pesquisador Marcelo Abi-Ramia Caetano, do Ipea, ?o Brasil é um país emergente com gasto de rico?. Ele descobriu que o aposentado brasileiro ganha em média 59,4% do que recebia enquanto trabalhava, e isso se deve em grande parte às aposentadorias integrais do serviço público. A média internacional não chega a 50%.
Outros pontos que distorcem a situação, segundo a explanação de Abi-Ramia, são a ausência de idade mínima, a possibilidade de o trabalhador se aposentar antes dela e as pensões por morte, que no Brasil são integrais.
Com a indexação dos benefícios às correções anuais do salário mínimo, ao invés do reajuste pela inflação, o déficit da Previdência explodiu nos últimos dez anos.


